Pedaços e reflexos de uma vida equilibrista que procura ser Humana...
dezembro 28, 2005
Um minuto
Talvez seja apenas o reflexo do sol em teu olhar
Que eu queria ver mais uma vez
Antes do sol se apagar."
dezembro 25, 2005
Ceia de Natal
Meu presente virtual segue abaixo. :)
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Ceia de Natal (Frei Betto)
"A Missa do Galo deu-se por celebrada na primeira hora de 25 de dezembro. Padre Afonso deixara-se contaminar pela aflição dos fiéis, ansiosos por retornarem às suas casas e desfrutarem a ceia antes de as crianças murcharem de sono. Abreviou a homilia, pulou orações, desejou a todos Feliz Natal e deu-lhes a bênção final. Uma dezena de paroquianos ombreou-se na sacristia para manifestar-lhe votos de boas festas. Presentes sobrepunham-se a um canto: camisas, meias, livros, essas coisas adequadas a um homem de Deus.
Dependurados os paramentos, padre Afonso viu-se sozinho. Miseravelmente só, em plena noite de Natal. O celibato é um dom e ele o sabia ter merecido. Ao longo de vinte anos de sacerdócio acometeram-lhe muitas tentações. Não era o fascínio das mulheres que o levava a duvidar de sua consagração. Admirava as, sentia-se gratificado por achá-las belas e atraentes. Sinal de que havia nele um macho, o que no íntimo o envaidecia. Perturbava-o a consciência do pai que nunca fora. Muitas vezes sentia saudades dos filhos que não tinha.
Atormentava-o ver-se sozinho à mesa de refeições. Comer é comunhão, partilha, entremear ao cardápio o diálogo ameno e alegre. O alimento lhe caía insosso e, com freqüência, se surpreendia sonhando de olhos abertos, a mesa cercada por sua família imaginária.
Naquela noite a solidão lhe bateu forte. Uma solidão com a ponta de amargura advinda de uma expectativa frustrada. Sentia-a na boca da alma. Nenhum dos paroquianos lhe acenara a gentileza de um convite à ceia.
Padre Afonso revirou os embrulhos de cores brilhantes e encontrou o que bastava: um panetone e uma garrafa de vinho. Enfiou-os na pasta usada para levar sacramentos aos enfermos e dirigiu-se à zona boêmia.
Shirley trazia os olhos inchados, o p eito sufocado, o coração miúdo. Desde o fim da tarde chorara copiosamente ao recordar os natais de sua infância no norte de Minas. Lembrou da família que a repudiara, do marido que a abandonara, do filho que dela se envergonhava. Sentiu ódio da vida, da
desfortuna a que fora condenada. Confusa, teve medo e vontade de sentir ódio também de Deus.
Pudesse, não trabalharia naquela noite. Todavia, não lhe restava alternativa. O acúmulo de dívidas a obrigava a ir à rua e aguardar o dinheiro ambulante que chegava escondido atrás da fantasiosa excitação de sua fortuita freguesia.
Mirou o homem de pasta na mão, camisa sem gola, sapatos escuros. Talvez viesse do trabalho. Enquadrou-o na tipologia adquirida em tantos anos de calçada: tinha o jeito ingênuo dos que buscam apenas aliviar-se e, na hora da cobrança, preferem ser generosos no pagamento a enfrentar uma prostituta irada disposta ao escândalo.
Trocaram olhares e ela se esforçou para estampar um sorriso sedut or. Ele parou e indagou; ela apontou o hotel de alta rotatividade na esquina. Caminharam lado a lado em silêncio, ela sobrepondo seu profissionalismo aos sentimentos esgarçados, ele apreensivo frente ao receio de ser flagrado ali por algum conhecido. Subiram as escadas opacamente iluminadas, em cujos degraus as baratas se desviavam ariscas.
Ao abrir o primeiro botão da roupa, ela ameaçou dizer qualquer coisa, mas ele se adiantou. Explicou que não estava ali em busca de sexo, e sim de companhia. Haveria, contudo, de pagar-lhe o devido. Contou-lhe de seu sacerdócio e de sua solidão, e indagou se ela se dispunha a orar com ele e compartir a ceia.
Shirley sentou na cama, enfiou o rosto entre as mãos e desabou em prantos. Agora era um choro de alívio, de gratidão por algo que ela não sabia definir, quase de alegria. Logo, falou de seus natais na roça, o presépio em tamanho natural que o pai armava no quintal do casebre, o peru engordado durante meses para a ocasião, o bendito puxado por uma vizinha na falta de igreja e padre naquelas lonjuras.
Padre Afonso propôs fazerem uma oração. Ela se ajoelhou e ele tomou-a pela mão e fez com que se sentasse de novo. Ele ocupou a única cadeira do quarto. Abriu o Evangelho de Lucas e leu, pausadamente, o relato do nascimento de Jesus. Em seguida, perguntou se ela gostaria de receber a eucaristia. Shirley pareceu levar um choque. Como ela, uma puta, poderia receber a hóstia sem sequer ter se confessado? O sacerdote leu o texto de Mateus (21,28): “As prostitutas vos precederão no Reino de Deus”. E acrescentou que era ele, e essa sociedade cínica, injusta, desigual, que deveriam se confessar a ela e pedir perdão por a terem obrigado a uma vida tão degradante.
Após a comunhão, padre Afonso tirou dois copos da pasta, encheu-os de vinho e partiu o panetone. Clareava o dia quando os dois ainda conversavam animados sobre suas vidas."
dezembro 22, 2005
Sobre Perfeição ou Santidade - parte 3
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"Estive pensando em quantas atitudes a gente faz buscando a perfeição, e o quanto na verdade essas atitudes nos tornam menos íntegros, menos humanos, menos Amor de verdade.
Um exemplo é a busca da perfeição pelo "ser bonzinho". Penso que pode ser uma enganação, porque na maioria das vezes a gente nem é bom, e ainda por cima isso parece denotar um egocentrismo: eu forço bondade para parecer "perfeito" e "belo" aos olhos dos outros... Acho que a verdadeira caridade tem os olhos no PRÓXIMO. Essa falsa caridade parece ter os olhos em "MIM". É aí que tá, porque a PERFEIÇÃO tem os olhos em "MIM", parece que por vaidade. Por isso acho que está tão próxima do orgulho... do egoísmo...
Às vezes, ser "bom" e "amor" de verdade está justamente em não ser bonzinho! Em não se calar diantes das injustiças e das hipocrisias, das exclusões, da falta de amor, com medo de te julgarem por não ser "perfeitinho" ou condizente com tudo.
Bom, isso é uma partilha decorrente de experiência e aprendizado particulares, pessoais... não sei se se aplica a todo mundo, mas como foi uma experiência e aprendizado importantes e marcantes para mim, então achei que fosse bacana compartilhar.
Rezo pedindo a Deus para continuar tentando discernir entre o verdadeiro Respeito, da Omissão... a verdadeira Paciência, do Conformismo... a verdadeira Indignação, da Auto-afirmação... a verdadeira Bondade, do Egocentrismo... as atitudes de verdadeiro AMOR, das atitudes de orgulho e vaidade...
Não sei se entra, mas talvez aí esteja aquele "querer acender todas as velas" exposto pelo Marnen... porque algumas velas, a gente acende por verdadeiro amor e luz de Deus, nossos dons recebidos. E querer acender todas pode ser por vaidade, vontade de ser vista, notada, elogiada... vaidade."
(8/outubro/2005)
Sobre Perfeição ou Santidade - parte 2
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"Minha maior guerra contra o "perfeccionismo" é no que tange à minha personalidade meio "inconstante" (não sei se seria a palavra certa, mas acho que vocês entenderão). Designo-me um pouco "intensa" na vivência de meus sentimentos, e por causa disso, me culpava por não ser "equilibrada e constante", ou seja, "perfeita". Como às vezes sou mais tímida, outras vezes sou mais extrovertida, houve um certo momento em que meu orgulho não se conteve e, então, nessa "busca de perfeição", passei a ser uma pessoa "tímida ao quadrado vezes cem mais um" (exatamente). Achava que tinha conseguido me "equilibrar", e assim, estar mais "perfeita", porém não havia descoberto ainda o quanto estava escondendo e obstruindo tantos dons que Deus me deu. Por orgulho.
Quando enxerguei que eu podia ser eu (!), aí meu queixo caiu e meu sorriso saiu.
Ainda hoje (e sempre, rs) travo a luta pra me livrar das garras desse orgulho maldito, rs. Ele ainda está presente, e muito, por exemplo em meu medo de me abrir, de expor a minha humanidade nua e crua, com todas as qualidades e defeitos que possuo. Pelo menos agora, com esse consciência, "carrego a malinha, não sendo mais carregada por ela" (como já disse o Pe. Toninho, no retiro).
Ao me descobrir, a cada dia, vejo que um pouco de timidez é minha, sim, - mas não tanta, como eu insistia em cultivar. Já a parte "sociável e aberta" também é minha, sim - mas não tinha razões de insistir em esconder. Enxergar que tenho meus momentos mais "tímidos" e outros mais "extrovertidos" foi fundamental para aceitar-me como sou, pois constantemente entrava em conflito devido ao "perfeccionismo", achando que essa característica me tornava uma desequilibrada, uma inconstante ou até mesmo uma pessoa de dupla personalidade (risos de novo). E concordo com a Flávia... Tudo isso foi uma "fuga" das possíveis frustrações e erros que a minha "inconstância" (entre aspas, não em um sentido negativo) poderia me causar. No entanto, hoje percebo que, mesmo entre erros, nisso tambem há acertos, que me causam muitas alegrias!
Ainda não sou equilibrada, nem nunca vou ser, rs. Descobri que não preciso ser equilibrada (a perfeição); o importante é ser equilibrista!! =) (Equilibrado não seria parado? Estagnado? E o equilibrista não deve estar ali tentando, acertando e errando, mas em movimento, e cada vez mais aprendendo??).
Tentando, a gente não acerta sempre. Mas acerta de vez em quando! Sem tentar, a gente não erra, é verdade. Mas também, não acerta nunca... Por que, então, deixar de tentar as vitórias, com medo das derrotas? Por que deixar de saborear momentos de felicidade, com medo dos momentos de tristeza? O orgulho nos impede de tentar, a perfeição nos impede de errar... imaginem quantos e quantos momentos de felicidade perdemos por causa disso!...
Tenho tentado me permitir o direito de errar.
Equilibrando-me na corda bamba da vida, vou aprendendo a ser feliz! "
(23/setembro/2005)
Sobre Perfeição ou Santidade - parte 1
Esta foi minha primeira impressão a partir do tema "Perfeição e Santidade", proposto ao grupo virtual, com base em um texto escrito por um padre jesuíta, e que começamos a partilhar em meados de setembro.
Estas partilhas representam muito para mim, pois precederem, acompanharam e sucederam uma época importante pela qual passei, me ajudando a olhar para dentro de mim mesma e ao mesmo tempo sair de mim de alguma forma, mesmo que virtualmente.
Recompartilho com vocês. Beijos.
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"Sobre Perfeição e Santidade
Perfeição é não querer errar... não querer errar é fugir do crescimento, do amadurecimento, de uma etapa fundamental para tornar-se mais humano, mais íntegro... não querer errar é julgar-se suficiente, estável, pronto.
Santidade é querer crescer... E querer crescer passa pelos erros. Santidade é saber que é preciso errar também, e que é possível crescer errando. É saber que não se é tão bom que não possa nunca errar. Mas também, não estacionar nos erros, nem cultivar
remorsos, mas fundamentalmente crescer, para poder amar cada vez mais - amor, no sentido mais evangélico da palavra.
Creio que buscar perfeição é buscar ser "o melhor", mas será que ser melhor é intencionalmente melhorar? Talvez queira-se ensinar, mas não queira-se aprender. Buscar santidade é buscar em tudo aprender, para assim ser melhor - ou para assim amar mais; e aprender requer sempre colocar-se um pouco abaixo. Para aprender, melhorar e crescer, preciso ver que nunca sou pronto, estável ou "perfeito".
Vejam... parece que querer ser perfeito, é inferir que um dia serei pronto, suficiente. Bastarei. Enquanto buscar santidade é saber que nunca vou ser completo, e exatamente por isso ser feliz, pois assim poderei buscar amar cada vez mais, e mais, e mais... amor que passa pelo outro, e outro, e outro... e, logicamente, pelo Outro, Aquele (Maior), o Perfeito. É impossivel ser auto-suficiente na busca pela
santidade.
Não sei se "viajo", mas por esse caminho de pensamento, parece-me que a perfeição tem uma gênese no orgulho... e a santidade, na humildade..."
(15/setembro/2005)
dezembro 19, 2005
Um dia, eu ainda vou...
- caminhar um mês até Santiago de Compostela, ter bolhas e cansaço, conhecer muitos caminhos e muitos interiores, inclusive o meu;
- tomar um grande banho de chuva acompanhada de um espírito alegre, sem me preocupar com minha roupa ou meu cabelo, e ter um beijo roubado na chuva;
- cruzar o sertão nordestino a jipe, acompanhada de um espírito aventureiro e apaixonado pelas pessoas, conhecer e aprender com muitas almas riscadas de sofrimento, e dar bom dia pra muitos rostos simples marcados pela vida;
- dançar uma valsa à beira-mar numa praia deserta, e dar muita risada;
- plantar uma árvore, por amor à terra;
- escrever um livro, por amor a quem vai ler;
- ter unS filhoS, por amor a eles mesmos;
- viver um grande amor, por amor a nós dois;
- aprender a cozinhar, por... necessidade! hahaha =)
- educar meus filhos para o amor, e orientá-los a nadar contra a corrente do egoísmo, do individualismo e da competição, e a agir no e para o mundo em que vivem;
- tocar La Valse d'Amelie completa no piano... e também Sur Le Fil, La Dispute, Le Moulin e Comptine D'un Autre Ete... :D
- aprender a dar batidas no violão com a mão direita, fazer as notas com a mão esquerda, e cantar AO MESMO TEMPO;
- ajudar almas a vencer traumas, superar sofrimentos e lutar pelo próprio direito de viver, e ver sorrisos dignos e vitoriosos nesses semblantes;
- sentar numa varanda, bem velhinha, e relembrar o passado com Jé, Tchu, Gau e tanta gente que eu amo... e dar muitas gargalhadas!
- cantar, em meio a muita gente que passa despercebidamente pela vida, que a vida é bonita, é bonita e é bonita, bem alto, e começar a sambar loucamente (hahahaha), sem me preocupar se me acham louca;
- aprender a tocar flauta. Ah, vou!
- ver o amor vencer o ódio; o egoísmo; a competitividade; a selvageria... (será?)
(continua em próximos capítulos)
dezembro 07, 2005
Curso de Escutatória
E nisso vemos tanta gente que fala, fala, fala, fala, fala tão bem...
E percebe-se que tantos há que já não sabem escutar, só falar. Falar, falar...
A demanda é grande. Que tal criar um curso de "escutatória"? ;)
Faz sentido... :)
novembro 28, 2005
Pouquinho
quando acordares,
lembra-te que eu te amo um pouquinho
- Mas só um pouquinho.
De modo que ele caiba direitinho
em teu coração.
E a toda manhã seja regado
com mais um, mais um pouquinho.
Dessa maneira,
pouquinho a pouquinho,
quero me entregar com carinho
- E com jeitinho
fazer, a cada manhã, do pouquinho,
no fim, um tantão.
Mas que nunca fique parado:
sempre crescente com mais um pouquinho."
(28.11.05)
novembro 27, 2005
Amarga é a boca
Voa, ó alma que canta!
Levanta e merece a coroa
que põem em tuas entranhas.
E segue na vida, que amarga
é a boca, e não a jornada
Porém, é o resto do doce
que acorda o peregrino."
(17/outubro/2005)
novembro 22, 2005
Polímnio
há um pingo de chuva
colorido
Atrás da montanha
ao pé das flores, frutos
árvores
Na sombra.
Choveu bonito
E o pingo colorido
não quis se perder
Espera o amor
Vamos buscá-lo?"
---
"Não entendo o que há
em seus olhos
Que tipo de mistério, que
brilho é esse?
O sorriso que é eventual
Acompanha a magia de
ser você.
Há um jeito tranquilo de
querer
de vontade, de viver, de
acompanhar
Há uma maneira transparente
de andar
De caminhar rumo ao suave,
ao sensível
Há, sim, um diferir
Há algo inquieto em teu
ser.
Não sei o que é; quer saber?
Eu quero descobrir."
---
"Busco a eternidade,
eterno espaço que se esvai.
Rumo a um caminho,
mas que não sei onde vai dar.
Abre esses teus olhos
e rompe a fronte intacta
Deus está conosco onde
espera a madrugada."
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(Dia desses, na facul...)
novembro 08, 2005
De dentro para fora
É aquela que é tocada de dentro para fora
Como uma sonata acústica a dançar para os ouvidos...
E se há ruídos de panela fora do piano
A música não será porquanto menos bela
Talvez provavelmente menos apreciada..."
novembro 03, 2005
Pelos últimos dias
"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido."
(Fernando Pessoa)
Dia 02... em oração pelas vidas.
"Eternidade não é o tempo sem fim. Tempo sem fim é insuportável. Já imaginaram uma música sem fim, um beijo sem fim, um livro sem fim? Tudo o que é belo tem de terminar. Tudo que é belo tem de morrer. Beleza e morte andam sempre de mãos dadas"
(Rubem Alves)
"...Quem sabe que o tempo está fugindo descobre subitamente a beleza única do momento que nunca mais será..."
(Rubem Alves)
Dia 02...em lembranças por tantas vidas. Algumas em especial.
"Tardes que passaram ficarão
Imagens e lembranças de alegria
Ostentamos teu sorriso em nossa dor.
Descansa que a tarde já se foi
Instaura tua paz e vida eterna
Outono é a presença do amor."
(Abril 2004)
"Ainda lembro
de tua suavidade
teu modo de acolher
teu abraço e teu colo
tão paterno e materno
dessa simplicidade
em ternura se fazer.
Lembro que assim
era fácil compreender
de Infinito, de Amor,
Misericórdia maior...
Ainda lembro
de cada colo, cada lágrima
nossas mãos a segurar.
da confiança, singeleza
da coragem de amar.
Tanta luz derramada
coração que acolhia
alma que se dava.
Ainda lembro
do último e primeiro olhar
dilacerado pela dor
E apesar do corpo que gritava
O sorriso era o mesmo
De paz
E nunca mais.
E sempre em ternura
Em lembrança, em poesia.
E quem sabe
Um dia.
Tudo é amor de Deus."
(Março 2005)
outubro 30, 2005
Plenitude
Mais otimista, é verdade - e isso também faz parte da pintura...
Auto-retrato, quem sabe. Pintado hoje em um espelho antigo, com tinta e pincéis velhos...
"Não sou pura fortaleza, não sou de ferro e aço,
Mas também não sou um vidrinho frágil que se quebra com o vento
Eu luto e falo; embora tanto cale
E a minha inconstância diz pouco sobre mim
Não sou só os meus sorrisos
nem sou só as minhas lágrimas
Não sou só meus pensamentos
nem só minhas atitudes
Eu sou a minha história e meus momentos
Minha vida quero ser
a capacidade de ser eu em plenitude"
(Plenitude. Março/2005)
"Gosto do ser mistério
Do olhar perdido no horizonte
Mas profundo revelador.
Ser nuvem
E ser estrela
Às vezes sol
Às vezes vento.
Gosto das palavras de papel
E da melodia entoada pelos pássaros
E da criança e do ancião.
Gosto do sorriso inesperado
Do carinho inocente
Gosto das lágrimas puras
Da doçura
Do olhar que fala e cala
Que se retrata e marca.
Da beleza que não se vê
mas sente.
Gosto do chão de areia
Do pé descalço
Da sombra.
Gosto da simpatia
E da sensibilidade
Simplicidade
Do piscar terno
Devagar.
Da suavidade
Da chuva que canta
Do amor que encanta
Serenidade.
Gosto do silêncio
E do partilhar.
Gosto de sentimento
Parar em pensamento
Voar.
Por um momento,
não voltar.
Ser
[Gente]
Humana."
(Pós-Amélie. 03/maio/2004)
Passageirismos e Paz
"Não quero mais
Quero paz
Não quero nó
Quero amor
Não quero raio
Quero sol
Não quero chão
Quero flor
Não quero não
Quero sim
Não quero ali
Quero aqui
Não quero dó
Quero ouvir
Não quero ir
Quero estar
Não quero pó
Quero ar
Não quero mais
Senão paz."
(PAZ. 06/outubro/2004)
"Sentimentos... Momentos...
Apertos... Saudades...
Diferenças...
Apertos, momentos, sentimentos, pessoas, olhos, coração.
Passageirismos...
O que é passageiro?
O que passa? O que fica?
Passa-e-fica...
O que pacifica?"
(ESTRANHEZAS. 06/abril/2004)
umMONTEdeCOISA
"Eu queria falar do que penso
o que creio, o que vejo, detesto
Eu queria falar do que sonho
do mundo, a utopia, esperança
Eu queria falar da menina
da infância, os tesouros, besouros
Eu queria falar da mulher
o que sinto, o que amo, o que temo
Eu queria falar do passado
machucados, feridas, cansaço
Eu queria falar do futuro
Incertezas, caminhos, modelos
Eu queria falar tanta coisa
Eu queria dizer mas tenho medo.
As pessoas são bichos que comem,
mastigam, mastigam, engolem."
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"Eu sinto saudades do amor que nunca veio
De repente, ela sentiu saudades de tudo que não teve
e não viveu
E ela tinha medo do seu passado
porque o passado da gente
é a mais alta muralha que construímos
no nosso mar aberto, que navega,
navega
Oh, barquinho! Viaja, vai,
antologia de Drumond
cantaroladas de Cecília
invade-ser de Pessoa
e ela embarca na estrada da sua alma.
e um dia descobre-se que amou.
E descobre-se que amor não se cura com tempo, distância e essas coisas que dizem por aí.
Aliás, descobre-se que amor não se cura, porque amor não é doença.
E descobre-se que se amou de verdade quando a memória-pensamento ainda traz respostas do sistema nervoso autônomo
E descobre-se que se quebrou estereótipos, plantou flores e colheu poemas.
E descobre-se que não se construiu o passado e o presente não tem história pra contar.
Só de tristeza, e de triste basta o coração.
Quero história alegre, quero um grão de paz,
quero magia colorida colorpaz colorful colorcheia colormágica
quero-quero, bem-te-vi, pé-de-moleque, cachorro-quente
querossim... queroti...
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Sentimentos mais confusos não dá pra falar, escrever, gesticular ou o-que-for.
Eu não sei o que dizer. Eu quero, mas não sei. O que é normal.
Poderia talvez conseguir dizer em duas linhas, em oito linhas, em quatorze ou trinta e três.
E eu achava que eu conseguia exprimir os sentimentos melhor pelas palavras.
Mas eu escrevi quarenta e uma linhas descontínuas versificadas e não consegui.
E poderia escrever mais quarenta e uma, e seriam vãs quarenta e uma linhas.
O copo está cheio; mas, tampado, não serve-se a água.
Às vezes consigo tirar muita água do meu poço - fundo, escuro, escondido.
E posso analisar, experimentar, servir a água.
Mas aí, vez ou outra, sonâmbula-eu, tampo o poço com tampa de ferro e cimento.
E não consigo tirar a água, tomar a água, servir a água.
Então fica assim: eu aqui sentindo um monte de coisa junta e vocês sem saberem o que é."
(Não me lembro, mas acho que foi escrito em abril.)
outubro 27, 2005
Identidade e metamorfose
"Podemos imaginar as mais diversas combinações para configurar uma identidade como uma totalidade. Uma totalidade contraditória, múltipla e mutável, no entanto una. Por mais contraditório, por mais mutável que seja, sei que sou eu que sou assim, ou seja, sou uma unidade de contrários, sou uno na multiplicidade e na mudança.
(...) ...cada comparecimento meu frente a outrem envolve representação num tríplice sentido:
1) eu represento enquanto estou sendo o representante de mim (como um identidade pressuposta e dada fantasmagoricamente como sempre idêntica);
2) eu represento, em consequência, enquanto desempenho papéis (decorrentes de minhas posições) ocultando outras partes de mim não contidas na minha identidade pressuposta e re-posta (caso contrário eu não sou o representante de mim);
3) eu represento, finalmente, enquanto reponho no presente o que tenho sido, enquanto reitero a apresentação de mim - re-apresentado como o que estou sendo - dado o caráter formalmente atemporal atribuído à minha identidade pressuposta que está sendo reposta, encobrindo o verdadeiro caráter substancialmente temporal de minha identidade (como uma sucessão do que estou sendo, como devir).
Ao me representar (no primeiro sentido - representante de mim), transformo-me num desigual de mim por representar (no segundo sentido - desempenho de papéis) um "outro" que sou eu mesmo (o que estou sendo parcialmente, como desdobramento de minhas múltiplas determinações, e que me determina e por isso me nega), impedindo que eu deixe de representar (no terceiro sentido - re-apresentação) para expressar o outro "outro" que também sou eu (o que sou sem estar sendo) - que negaria a negação de mim indicada pelo representar no sentido anterior (o segundo).
Ora, essa expressão do outro "outro" que também sou eu consiste na "alterização" da minha identidade, na supressão de minha identidade pressuposta e no desenvolvimento de uma identidade posta como metamorfose constante em que toda humanidade contida em mim pudesse se concretizar pela negação (não representar no terceiro sentido) do que me nega (representar no segundo sentido), de forma que eu possa - como possibilidade e tendência - representar-me (no primeiro sentido) sempre como diferente de mim mesmo - a fim de estar sendo mais plenamente.
Ou seja: só posso comparecer no mundo frente a outrem efetivamente como representante do meu ser real quando ocorrer a negação da negação, entendida como deixar de presentificar uma apresentação de mim que foi cristalizada em momentos anteriores - deixar de repor uma identidade pressuposta - ser movimento, ser processo, ou, para utilizar uma palavra mais sugestiva se bem que polêmica, ser metamorfose.
(...) Então, o "ser ser o que é" implica o seu desenvolvimento concreto; a superação dialética da contradição que opõe Um e Outro fazendo devir um outro outro que é o Um que contém ambos.
(...) Então, nem anjo, nem besta, o homem é homem... (...)."
(Antônio da Costa Ciampa)
outubro 05, 2005
Presentes versos passados
Será que a vida é um ciclo? Mesmo se for... nenhum ciclo é igual, pois são cumulativos... E a gente sempre aprende mais, a cada ciclo... E a gente vai crescendo, e aprendendo, e vivendo...
"Ainda é cedo para pensar
em tanta coisa que parece não querer mudar
Queria estar aí agora
embora não leve nada comigo
Só tenho o canto de mais um dia
Passado em frio, no meio da rua
Quero a lua, quero a lua
Brilhando no alto de teu telhado
Quero o alto, quero o alto
Quero a morada da janela
Quero a vida sempre bela
Quero voar e borboleta
E ficar, e permanecer, e sempre
Eterno em lembrança fugaz."
(março/2005)
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"Eu podia dizer apenas que não sou capaz
E largar tudo pra trás
Mas eu quero mais
Pra você eu posso não conseguir
Eu posso ser a pessoa mais incerta para ir
em frente
mas eu vou...
Meu passado e meu presente são doentes
Mas o futuro eu é quem vou construir
eu vou
Tudo pode parecer contraditório
Você pode até pensar que eu faço tudo ao contrário
do que eu quero
Mas não pense que eu calo tanto assim
porque eu falo
Eu estou aprendendo a tirar água do meu poço
sozinha"
(13/02/05)
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"Cenas dispersas
Palavras mal-encaixadas
Desprendidas da boca ao acaso
Que pularam sem a minha permissão
ou que quiseram apenas rasgar um silêncio invasivo.
Palavras geradoras de mal-estar
Palavras que confudem, palavras que fazem sorrir.
Palavras que rendem olhares atravessados,
contrariados, amigáveis, curiosos.
Palavras misteriosas, mistério da incomunicação.
Lanço olhareas ao passado, para longe e para perto...
Hoje quero apenas respirar
Olhar para as marcas
São doces e amarga,
São fechadas e abertas
São sorrisos e angústias
são boas
Há restantes marcas no ar
Nada tenho a esclarecer
Sou esperança na vida
Sou descoberta a ser vivida,
sou aprendiz
Hoje, quero respirar
tomar fôlego e continuar"
(março/2005)
setembro 30, 2005
19 km
(Comentei pra Mah... e gostei. Algumas alterações... e pronto. Eu também precisava ouvir essas palavras que saíram de mim mesma.)
setembro 28, 2005
Um rio sem fim... entre eu e mim.
"Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim."
(Fernando Pessoa, "Entre o sono e o sonho").
setembro 26, 2005
Ninguém sabe o que será
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."
("Não se Mate", Carlos Drumond Andrade)
Roubei isso aí do fotolog da Cau.
Que, aliás, roubou do meu "Antologia Poética" de Drummond.
Enfim, aqui em casa está o verdadeiro Congresso Nacional. rs.
Gracinhas à parte... abstraiam a complexidade.
*...Arbitrariedades do coração...*
Chega. Me respeitar. É o que preciso.
"Não se mate"...
Sou humana e tenho imensa demanda e variedade de sentimentos... graças a Deus.
setembro 19, 2005
Tocando em frente!...
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
estrada eu sou.
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
de ser feliz."
(Tocando em Frente. Composição: Renato Teixeira e Almir Sater)
Depois de um domingo em ótima companhia.
Beijos com sabor de vida e de amor!
Permaneçam em Deus!
setembro 05, 2005
Depois da chuva
E chovia.
E o cheiro da chuva, amor
Me ardia.
E a gota da chuva, amor
Era fria.
E o gosto da tarde, amor
Fervia.
Hoje esperei que a chuva, amor
Cessasse.
E a chuva cessou, amor
Milagre.
E as cores do céu, amor
Cantaram.
E o sol no horizonte, amor
Estampado.
Nunca vi o dia tão bonito, amor,
como o dia de hoje depois da chuva.
Era o dia mais bonito, amor.
E você não existia."
(sexta-feira, 02 de setembro, após a chuva.)
agosto 19, 2005
De lua
"Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."
(Lua Adversa. Cecília Meireles)
agosto 18, 2005
Amor fraterno
- Você não devia ficar triste.
- Eu fico triste porque não gosto de brigar com eles. Eu os amo.
- E quando é alguém que você não ama?
- Geralmente eu não brigo com quem não amo..."
...
Sem perceber, uma conclusão.
agosto 17, 2005
Taizé, 17 de agosto de 2005
O irmão Roger entrou na vida de eternidade
Durante a oração da noite de terça-feira 16 de Agosto, no meio damultidão que enchia a igreja daReconciliação, uma mulher,provavelmente mentalmente desequilibrada, agrediu o irmão Roger comuma faca. O irmão Roger faleceu momentos depois.
A comunidade de Taizé, neste momento de dor, agradece a todos os quea apoiam com a sua amizade e com a sua oração. Na manhã do dia 17 deAgosto, depois da morte do irmão Roger, foi lida na igreja a seguinteoração:
"Cristo de compaixão, tu concedes-nos estar em comunhão com aquelesque nos precederam e que podem permanecer tão próximos de nós.Entregamos nas tuas mãos o nosso irmão Roger. Ele contempla já oinvisível. Seguindo os seus passos, tu preparas-nos para acolhermosum reflexo da tua luz."
O funeral do irmão Roger será na terça-feira 23 de Agosto às 14horas.
O seu corpo estará na igreja de Taizé todas as tardes, entre as 15 eas 19 horas, para que todos aqueles que o desejem possam ir rezarperto dele.
Há oito anos, o irmão Roger tinha designado o irmão Alois para lhesuceder, depois da sua morte, como responsável da comunidade. O irmãoAlois iniciou imediatamente o seu ministério de servo da comunhão nocoração da comunidade.
(www.taize.fr)
agosto 16, 2005
Que vontade de chorar...
Agora... alguém já parou pra pensar em quantas crianças de 5, 6 anos estão por aí, perdidas nesse caos? Atravessando grandes avenidas sozinhas, dormindo em bancos de praças ou debaixo de pontes, SOZINHAS?
Estamos tão acostumados com as crianças de rua, que elas parecem adultas. Enquanto as crianças que têm uma família para cuidar e olhar por elas, só estas, sim, têm infância. Só estas são CRIANÇAS que necessitam de CUIDADO! As outras, não...
Levei um susto quando, em meio a uma aula de Desenvolvimento, a professora abriu-nos os olhos para essa situação. É tão óbvio... e talvez por isso, tão banal. Cheguei à conclusão que ninguém olha para uma criança de rua como criança, mas como ADULTO! Ninguém faz uma brincadeira ou acha bonitinho, como acontece normalmente com aquele irmãozinho, sobrinho ou priminho querido. Qualquer um destes, em uma família qualquer, é o centro das atenções, todos têm tempo para ele: todos têm tempo para sorrir, brincar, achar graça das estripulias ou até das malcriações! Na rua... qualquer criança é ignorada, desprezada! Um mínimo aproximar-se já é sinal de "cuidado, o marginal está chegando". Uma CRIANÇA!
Viver "TENDO MEDO" DE CRIANÇAS é muito triste. Eu, realmente, não me conformo nem consigo me acostumar com isso. Não mesmo. Remete-me até àqueles filmes trash, em que singelos e inocentes bonecos infantis transformam-se em assassinos e perseguem os mocinhos. Tsc, tsc...
Há uma crônica de Rubem Alves sobre este assunto que eu gosto muito, e sempre leio. Chama-se Que vontade de chorar, e o sentimento é esse mesmo. Recomendo a todos. Abaixo, um trecho em que eu sempre estaciono...
"Os especialistas no assunto já me disseram que não se deve ajudar pessoas nos semáforos, pois isso é incentivar a malandragem e a mendicância. Mas me diga: o que vou dizer àquela criança que me olha e pede: “Compre, por favor...”? Vou lhe dizer que já contribuo para uma instituição legalmente credenciada? Me diga: o que é que eu faço com o olhar dela?"---
Ao final daquela aula de Desenvolvimento, o vídeo que assistíamos encerrou-se com repórteres entrevistando crianças que trabalhavam para ajudar em casa (e portanto não estudavam, e raramente brincavam), questionando-as sobre o fato delas se considerarem crianças. As pobres criaturas de mãos e pés calejados e peles marcadas pelo sol escaldante de todos-os-dias respondiam um inocente "Sim...", enquanto seguia-se a triste legenda: "Ser criança não significa ter infância...".
julho 31, 2005
Enfim, "about me" *
---
*Descrição feita para o orkut (mas não postei-a por lá).
julho 25, 2005
Para Um Novo Tempo Começar
"Estou me sentindo frio
De tudo que eu sinto, não me arrepio
Que aquela melodia já não assobio
Estou me sentindo frio
Está tudo sem sentido
De coisas absurdas que hoje são normais
Pais que matam filhos
Que eliminam pais
De drogas sem sentido
Estou me sentindo frio
Joga um cobertor
Acende a lareira
Que a vida está descendo uma ladeira só
Estou me sentindo frio
Estou dentro de um navio
Num mar pequeno, perdido e só
De manhã o tempo me avisou que só o tempo
Poderia me ajudar
De manhã o tempo me alertou que dar um tempo
Era melhor
Para um novo tempo começar
Estou me sentindo frio
E é só o teu retrato é que não me fala mais
Palavras que me ajudam, que me trazem paz
Estou meio sem sentido
Está tudo indefinido
Ideologias loucas, soluções banais
Paliativos tolos, bravatas globais
Está tudo sem sentido
Estou me sentindo frio
Joga um cobertor
Acende a lareira
Que a vida está descendo uma ladeira só
Estou me sentindo frio
Estou dentro de um navio
Num mar pequeno, perdido e só
De manhã o tempo me avisou que só o tempo
Poderia me ajudar
De manhã o tempo me alertou que dar um tempo
Era melhor
Para um novo tempo começar"
Pungência de alma
Posso chorar, não me desanimem. Elas não levam minha alegria - apenas descarregam as tormentas de dor. E solitariamente caem. Às vezes, de bater na mesma tecla, vão me machucando, como "tanto bate até que fura". Mas muitas vezes - com o passar do tempo - os pinguinhos vão formando uma escultura na vida, uma estalagmite que só percebo quando esta já está lá na frente, quase formada.
Beleza de emoções turbilionadas, essência da condição humana linda com que Deus nos presenteou!...
Mas no momento... as emoções ferem... perpassam com uma lança o estômago, o coração, a cabeça, faz tudo doer.
E mesmo assim... 'em tudo dai graças'. Precisamos ter paciência para que a estalagmite se forme..."
(Escrito em 07-11-2004. Revivido em muitos momentos.)
julho 15, 2005
Cumplicidade em mezzo-soprano
cantar junto, dançar junto, abraçar muito.
chorar junto, sorrir junto, aprender junto,
viver junto, carregar e dividir junto.
conversar junto, brigar junto, perdoar junto
ser feliz, junto.
---
O que é o tal do amor? Às vezes me perguntam, às vezes me pergunto. Muita gente sente e poucos sabem explicar. Eu acho mesmo que amor é um conjunto. Levando pro sentido literal, uns preferem o som da guitarra, outros do violão, da percussão. Mas o instrumento sozinho não faz o conjunto. Uma nota sozinha não faz a música. A música é uma gestalt, assim como o amor. Um conjunto de sentimentos. Ih, será que viajei demais?
Talvez agora eu vá me contradizer... É que nessa música, algumas notas acabam sobressaindo - sabe o solo? Então. Às vezes o amor precisar solar mais com a amizade, por exemplo. Em outra música, é preciso solar mais com carinho; ou com o perdão. Há solos com a ternura, com a alegria... Sem nunca deixar de ter o acompanhamento completo, é claro.
...Se for para reger uma melodia orquestral do amor, busco o solo da cumplicidade. (Alguém diria agora: onde estão os regentes? risos.)
julho 07, 2005
(E falando em aprender...) Things I've learned
Que pecado é não "se dar";
Vergonha é não "se mostrar";
Ser "bom" não é ser "bonzinho";
E ser "puro" é ser o que se é.
Compreendi
que posso me calar, e também posso falar.
Constante, no ser humano,
É a diversidade de sua alma.
É como água no copo, parada:
engana-se quem a julga constante.
Alguma hora, ela evapora.
Constância é encher o copo
sempre que ele ameaça esvaziar.
Nós tentamos ser equilibrados
quando na verdade
Precisamos aprender a ser equilibristas.
Posso sorrir sem deixar de chorar
Posso chorar sem deixar viver
Posso viver sem deixar de sofrer
Posso sofrer sem deixar de sorrir.
E a vida é assim, são ciclos mesmo
(pra não deixar de ser clichê)
- Mas ciclos colecionados, cumulativos.
Assim, a cada repetição,
o ciclo anterior torna o novo ciclo mais forte.
(o que faz com que cada um seja único,
mesmo sendo ciclos)
O segredo pra tudo isso
é que lá no fundo, bem lá no fundo da gente,
tem algo que pode guiar as nossas emoções e as nossas atitudes,
que torna a vida mais leve, mais dinâmica e mais natural.
Uma essência que move o mundo
(às vezes, movida pelo avesso);
que alguns escondem,
que outros mascaram,
que alguns distorcem,
e outros manipulam.
Mas é feliz quem saboreia
o amor."
---
Isso aí saiu quando estava escrevendo um e-mail pra uns amigos... especiais e saudosos aas2005, alguns dos quais visitam este porão de idéias de vez em quando... Abraços a estes, e a todos!
julho 04, 2005
I learn
You love, you learn
You cry, you learn
You lose, you learn
(Alanis Morissette)
...
We learn. Always.
junho 27, 2005
Braços
Há tanto apelo,
Há tanta gente sem meios, tanta areia
Nos olhos de quem chora.
Há tanta sujeira no meio da rua
E gente nua, e gente cega,
Há tanto barulho e gente sem rumo,
Há tantos muros...
Há tantas mãos que se levantam,
E pouca esperança,
Pra tanta criança que não se alimenta,
Há pouca dança.
Há histórias escritas por mãos sanguentas,
e há alegrias hipócritas.
Há poucas mãos que se estendem,
Ha mãos que mentem...
Há corações que só sentem fome,
Há tantos nomes sem nomes,
Há corações que nem fome sentem,
Não sentem nada, não sentem...
Há condenação da inocência,
E martírio do diabo,
Há tanta máscara de pungência,
E anjos que morrem calados.
Há solidão em meio ao caos,
Há tiros de paz?
Há tantos gritos no silêncio,
Há guerra no vento...
Há bombas no chão
E na alma, estilhaços
Pra quem falta pão
Amanhã haverá laços?
E pra quem debruça sobre a hora da morte...
Quem há de dar abraços?"
Na falta de criatividade, posto uns versos de meses atrás.
junho 26, 2005
Religião
junho 23, 2005
Boff em BH
Ah... Essa eu não poderia deixar de contar: trombei com Leonardo Boff num barzinho daqui na segunda-feira! E a parte mais engraçada: eu estava abrindo a boca para comentar "Olhe... aquele homem de cabelo e barba branca... tá parecendo o Leonardo Boff!" E não é que era o próprio? :P
:)
OBS: Não faz tanto tempo que conheci a TdL... não fez parte da minha educação religiosa, o que lamento. Meu primeiro contato foi com um livro de Betto, aos 15 anos. A partir daí, nasceu minha curiosidade, escondida em meio ao tradicionalismo da paróquia na qual estava inserida, e um pouco também do familiar. Fui lendo e conhecendo aquilo que criticavam e que para mim fazia mais sentido do que as críticas. Ainda não tenho um conhecimento profundo, muito menos uma ação profunda, para dizer que sou adepta. Mas talvez simpatizante... interesso-me em conhecer suas idéias. Muitas no mínimo "corajosas", por sinal. E pretendo continuar estudando, quem sabe optando...
junho 20, 2005
Brother Sun, Sister Moon
Se eu tivesse um tempinho, faria um longo post sobre um filme que assisti na semana passada. Muitos já devem conhecer: refiro-me ao clássico de Zefirelli, "Irmão Sol, Irmã Lua" (Brother Sun, Sister Moon).
Mas como tempo é algo que tem me faltado ultimamente - ou pelo menos eu não tenho sabido organizá-lo muito bem (essa concordância está certa?? =P) - , fica aqui apenas a dica de um filme sensível, com uma fotografia marcante, uma trilha sonora magnífica e uma mensagem linda de amor e humildade. (Porque Francisco é Francisco. :)
---
Filme em fotografias: http://www.american-buddha.com/brothersunvignetteA1.htm
--
"Brother Sun and Sister Moon
I seldom see you, seldom hear your tune
Preoccupied with selfish misery
Brother Wind and Sister Air
Open my eyes the vision's pure and fair
That I may see the glory around me
I am God's creature I feel I am part
I feel He's now awakening my heart
Brother Sun and Sister Moon
I now do see you, I can hear your tune
So much in love with all that I survey"
(Brother Sun, Sister Moon - Donovan)
junho 05, 2005
Poesia do coração
"Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático
da aurora."
Ternura - Vinícius de Moraes. Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.
maio 30, 2005
Meu Papa preferido
por Frei Betto *
Prefiro um papa que defenda as mulheres adúlteras do moralismo exacerbado e não se escandalize quando, à beira de uma fonte, encontrar uma mulher que agora vive com seu sexto homem. Dobre-se a ela para dar-lhe de beber e, em vez de censuras, encha aquele coração voraz do amor de Deus.
Um papa que entre o direito à vida e a lei opte pelo primeiro, denuncie os ricos que oprimem os pobres e faça-os devolver em quádruplo o que roubaram. E tenha a ousadia de dizer ao homem abastado que desde jovem cumpre todos os mandamentos: "Falta-te tomar partido a favor dos pobres".
Sonho com um papa despojado do fausto e peregrino pelos caminhos do mundo; cercado de pescadores e artesãos, de mendigos e portadores de deficiências; capaz de proclamar aos teólogos da ortodoxia que as prostitutas os precederão no Reino de Deus.
Peço ao Espírito um papa que agradeça a Deus ter escondido a revelação dos grandes e a concedido aos pequenos; proclame bem alto que são bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça e que, por essa razão, são perseguidos pelos poderosos; e ensine que não se deve governar como os tiranos que se fazem chamar de benfeitores, mas sim como aquele que serve.
Prefiro um papa que recrimine seus fiéis que se recusam a erradicar a fome das multidões e ensine que a partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano é a condição para que todos tenham vida e vida em plenitude. E não tenha preguiça de buscar a solidão dos montes para entregar-se ao amor de Deus na oração.
Desejo um papa que chore pela morte do amigo, demonstre misericórdia para os pecadores e não aprisione a Igreja num espiritualismo vazio, mas ensine que Pai Nosso é sinônimo de Pão Nosso.
Espero um papa que ouse escolher para seu sucessor um homem casado, inclua entre seu grupo mais íntimo mulheres chamadas Maria, Joana, Suzana, e se sinta rejeitado quando Marta deixá-lo a sós com Maria por ocupar-se com os cuidados da casa.
Quero um papa que critique o governador que puniu o primo que o denunciou como corrupto e compare o rei à raposa. E não aceite que a casa de Deus se transforme em lugar de comércio e especulação financeira, tendo a coragem de cerrar as portas do Banco do Espírito Santo com sede no Vaticano.
Permita o Senhor que, em breve, tenhamos um papa que acolha um oficial romano, uma mulher fenícia, um doutor da lei, sem pedir-lhes atestado de identidade religiosa nem negar-lhes favores.
O papa dos meus sonhos adota o pão, e não a cruz, como símbolo de sua fé, e faz da partilha da comida e da bebida um sacramento. Não teme ser preso, torturado e condenado à morte pelos poderosos que se arvoram em oráculos divinos e prefere a companhia dos pecadores que a dos supostamente santos.
Prefiro um papa que ouse condenar aos infernos o rico esbanjador e enviar aos céus um pobre mendigo repleto de chagas; abençoe como legítima a ocupação de uma lavoura de trigo por quem tem fome; e critique os que acumulam terras sobre terras.
Rogo para que nos seja dado, um dia, um papa capaz de fazer da Igreja luz no mundo, sal no alimento, fermento na massa, e onde o amor prevaleça sobre a disciplina, a misericórdia sobre a condenação, a alegria sobre a dor, a graça sobre o pecado, o perdão sobre a censura, a tolerância sobre a intransigência, o serviço sobre o autoritarismo.
Quero algo muito simples: um papa em cuja face, gestos, palavras e iniciativas, transpareça Jesus de Nazaré.
* Frei dominicano. Escritor.
Retirado do Site: http://www.adital.com.br/site/noticias/16351.asp?lang=PT&cod=16351
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P.S.: Texto para discussão. Registre seu sentimento.
maio 22, 2005
Exercitando o espírito
"Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear internamente as coisas." (Inácio de Loyola)
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"O vento do meu espírito
Soprou sobre minha vida
E tudo que era efêmero se desfez
E ficaste só Tu, que és eterno."
(Cecília Meireles)
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Voltando de retiro inaciano... ;)
maio 20, 2005
O que é preciso fazer para ir para o céu?
- O que é preciso fazer para ir para o céu?
Eu pensei, pensei e ainda demorei para responder... "Seria... Amar?"
E ele rebateu:
- Quase isso, mas a sua resposta está errada.
Para ir para o céu, tudo o que precisamos é.... morrer.
...
Bom, meu amigo me disse que ele e sua amiga perguntaram isso a uma classe de crianças, e essa foi a rápida resposta obtida.
:)
Fiquei pensando em como as crianças têm as respostas mais simples, que os adultos não conseguem ter.
...
Que Deus nos guie para que nós possamos, a cada dia, relembrar esse coração que todos já tivemos - e ainda está guardado, sim, em algum lugar...
maio 16, 2005
Últimos assuntos
"Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive." (Ricardo Reis)
---
À parte:
"Os homens cultivam cinco mil rosas num único jardim, e não encontram o que procuram. No entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água. Mas os olhos são cegos... É preciso buscar com o coração." (Exupèry)
...Duas semanas de coração colorido... :)
"All you need is love..."
abril 27, 2005
Amor X Egoísmo
Até onde é respeito, até onde é omissão?
Até onde é bondade, até onde é egocentrismo?
Até onde é paciência, até onde é conformismo?
Até onde é indignação, até onde é auto-afirmação?
O limite... está no AMOR!
O Amor respeita, mas não o faz por covardia!
O Amor é bondoso, mas não o faz para ser “bonzinho”!
O Amor é paciente, mas não o faz por inércia!
O Amor luta pela justiça, mas não o faz para chamar atenção!
abril 20, 2005
Surpresas...
Quem nunca experimentou uma surpresa na vida?
Sabe aquela sensação de surpresa boa? É revigorante! Pulo, abraço, risada, lágrima quem sabe.
No entanto, a sensação de surpresa ruim parece desmoronar o chão que pisávamos. Olhar perdido, coração apertado. E a lágrima tem outra cor.
Surpresa. Uma palavra pode significar sensações tão antagônicas, dependendo do contexto de referência...
abril 19, 2005
Tem coisas que ainda dóem muito o coração...
E eu me pergunto, mas por quê? Por quê? Por que ainda dói tanto? Será que o que a gente achou que já tinha passado, não passou tanto assim?
Na verdade, acho que existe uma conexão automática memória-coração, já que certas coisas que são ligadas na memória agem diretamente naquela dorzinha no peito... (é quase um reflexo!)
O problema é que aquela conexão tem um atraso na via de desligamento, já que a tal dorzinha perdura mesmo depois da conexão já estar fora do ar...
O ser humano é uma caixinha de surpresas...
---
Tem gente que chega sem bater na porta e dá um susto no coração da gente. Outros chegam e até batem, mas quando a gente abre, igualmente leva um susto.
Às vezes eu queria umas coisas mais claras... outras vezes, nem tão claras assim!
Tudo bem, eu concordo. Somos complicadas mesmo. Às vezes um ‘não’ NÃO é apenas um ‘não’. Outras vezes, um ‘não’ É simplesmente um ‘não’! (parafraseando Freud... “Às vezes, um charuto é apenas um charuto” e “Nem sempre um charuto é apenas um charuto”.)
O segredo? Está na abstração do nosso universo. Sensibilidade e percepção... (E o mundo não gira ao redor do umbigo feminino não, tá. Rs. =P)
abril 18, 2005
Na corda bamba, de sombrinha...
let said:
Não sei equilibrada; mas com certeza, equilibrista...
"...e em cada passo dessa linha pode se machucar; azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar..." (João Bosco e Aldir Blanc)
abril 17, 2005
Lá em cima, perto do céu...
Algumas fachadas pareciam afirmar: 'Aqui somos dignos, sim'. Ao mesmo tempo, pareciam querer pedir socorro: 'Por favor, temos direito a dignidade!'.
Medo, ia refletindo, mas que *** de medo é esse...
As crianças corriam, gritavam, brincando. Os instrumentos da igreja eram um pandeiro, um tambor e uma meia-lua. E que festa que isso virava! Como é que pode, meu Deus, poderia qualquer um pensar, gente assim ostentar tantos sorrisos? E a resposta é tão óbvia quanto a pergunta é insensata... Alegria, afinal, depende de quê mesmo?
Os sorrisos eram mistos, é verdade. Mistos de sofrimento, necessidade de seguir em frente e vontade de vida em abundância. Há de surgir algo mais verdadeiro...
Nunca vi uma vista tão bonita como a que se tem em cima daquele morro. Três municípios, talvez; e cada horizonte... belo... Acho que Deus privilegia mesmo a simplicidade.
Obs: E não existe também melhor comida que a dessa gente!! (Hum, claro, tirando a de Tuquinha que é carta branca... Mas ela faz parte! Linda! :D)
Obs 2: Não é só mais uma visão otimista ou utópica das coisas não. É um grito da essência contra rótulos, preconceitos, divisões. Essência eu disse. É difícil abstrair?
abril 16, 2005
Meio-termos
"...ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase! É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer..."
(Luís Fernando Veríssimo )
abril 13, 2005
Ele não gostava do Papa
Este recebi por e-mail e não houve como me manter indiferente. Achei muito interessante.
EU NÃO GOSTAVA DO PAPA JOÃO PAULO II
(Arnaldo Jabor - Fonte: O Globo)
São Paulo (SP), 8/4/2005 - 11:32
"Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei.
Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”. E o tempo passou.
Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.
Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa.
Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.
E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola. "
Quase dois irmãos
O título salienta a incompletude da ponte a ligar os dois mundos: o de cima situado no asfalto e o de baixo localizado no morro. ''Quase'' Dois Irmãos significa a impossibilidade da irmandade, ressalta o fracasso da utopia da integração social, dá banho de ducha fria no projeto solidário da esquerda. Isso salta aos ouvidos na frase do narrador (Jorge): ''Temos todos duas vidas, uma que sonhamos, uma que vivemos'', diz, citando Fernando Pessoa.” (Por Cléber Eduardo, Revista Época. Nesta reportagem).
Ontem, assistindo a este filme (com ela), a tal citação do Fernando Pessoa me marcou. Pus-me a pensar nessa (triste?) verdade. É algo como “a teoria é diferente da prática”.
Mas... Prosseguindo o pensamento: “E nós nos esforçamos para que o mundo em que vivemos seja o mais próximo possível daquele que sonhamos”.
abril 12, 2005
A herança de João de Deus
Gosto muito de frases. Não somente daquelas frases prontas, que parecem serem feitas exatamente para estampar cartões, cadernos e agendas. Mas de frases também do dia-a-dia, do cotidiano ou aparentemente sem importância, mas que subentendem coisas muito especiais a respeito de um ser. Vejam esta do João Paulo II:
“Não deixo para trás nenhuma propriedade de que seja necessário dispor. Sobre aqueles itens de uso diário que utilizei, peço que sejam distribuídos da forma que parecer oportuna. Minhas anotações pessoais devem ser queimadas.”
Que longa viagem pela sua personalidade, através dessa frase... :) (sem querer ser reducionista... quem sabe poética!)
E mais esta para finalizar:
“Pouco importam expressões como Sumo Pontífice, Vossa Santidade, Santo Padre. Importa o que provém da morte e da ressurreição de Cristo.”
Taí... Karol Wojtyla!... :)
abril 11, 2005
Emoção na virtualidade
:), :D, =), =D, =], :], ^_^...
Será que cada um denota uma forma de rir na vida real, ou um certo traço da personalidade gargalhástica? :P
abril 10, 2005
O Mestre da Sensibilidade
Parei neste ponto. Exatamente neste, que me tocou profundamente: a sua sensibilidade sobre-humana.
Ao abordar uma pessoa, cada palpitar do seu coração parecia dizer-lhe daquela personalidade. Desespero, depressão, exclusão... Ele a olhava e perguntava: “Você crê que pode ser curada?” E ela dizia: “Creio.” Então Ele a mirava: “Você já está curada. Vá em paz.”
Na minha pequena percepção, reduzindo a esta perspectiva, simples e sensivelmente Ele sabia que as pessoas eram capazes de vencer os seus obstáculos mais humanos – e repassava isso a elas, através do Seu olhar...
Assim foi com a mulher prestes a ser apedrejada, com a samaritana no poço, com o baixinho Zaqueu... com a multidão faminta, com tantos aleijados de alma...
Ele era a Esperança. A Esperança que ninguém conhecia, que ninguém tinha, que ninguém sabia que era capaz de ter.
Ele era o maior conhecedor da essência humana, e por isso mesmo, sabia exatamente das nossas capacidades...
Hum.... Eu disse sensibilidade sobre-humana? Imagine... era a mais Humana das sensibilidades.
“Humano assim como Ele foi, só podia ser Deus mesmo.” (Leonardo Boff)
março 30, 2005
Vênus
E as coisas acontecem e não vemos
e a cabeça gira confusa
e as idéias permanecem
E os sonhos que perdemos
e a tecnologia obtusa
e os corpos que padecem
e a cabeça continua em Vênus
E roda, e confusa, e obtusa,
e permanecem, acontecem e padecem
nós não vemos e perdemos
E volte pra Vênus...