"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu; a gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu? A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá..." (Chico Buarque)
Êta roda-vida da vida, que vive em nossa vida mandar... :)
Lembrei-me de algo que escrevi certa vez, sobre essa sede que tenho de mandar no destino... No fundo, é aquela velha ansiedade em não perder o "controle" das situações. Mas depois de refletir com calma, pus-me a pensar em quão sem graça seria a vida totalmente previsível, se as maiores alegrias de nossa vida, aqueles momentos de felicidade plena, acontecem sem ao menos esperarmos, prevermos, calcularmos...
"Tenho sede.
Sede de certezas,
De busca e de encontros,
De procurar e achar,
de questionar e obter resposta.
Sede de amor sincero e singelo.
Sede de confiança e de cumplicidade.
Sede do futuro.
Mas o que me mata a sede
é a agua da incerteza
o líquido do indecifrável
Do escondido, espalhado, invisível,
Do imprevisível.
A vida é mistério.
E é bela assim.
E é bela por ser assim."
"Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há, mas eis que chega a roda-viva e carrega a roseira pra lá... Roda mundo, roda-gigante, roda-moinho, roda pião, o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração." (Chico Buarque)
Pedaços e reflexos de uma vida equilibrista que procura ser Humana...
novembro 28, 2006
Orações pela Paz - parte 3
Oração dos Nativos Americanos pela Paz
Ó Grande Espírito de nossos Ancestrais, elevo meu cachimbo e Ti. Aos teus mensageiros, os quatro ventos, e à Mãe Terra, que alimenta seus filhos. Dê-nos a sabedoria para ensinar nossos filhos a amarem, respeitarem e serem gentis uns com os outros, para que possam crescer com idéias de paz. Que possamos aprender a partilhar as coisas boas que nos ofereces aqui na Terra.
Oração Parse pela Paz
Oramos a Deus para erradicar toda a miséria do mundo: que a compreensão triunfe sobre a ignorância, que a generosidade triunfe sobre a indiferença, que a confiança triunfe sobre o desprezo, e que a verdade triunfe sobre a falsidade.
Oração Judaica pela Paz
Vamos subir a montanha do Senhor, para que possamos trilhar os caminhos do Mais Alto. Vamos forjar arados de nossas espadas, e ganchos de poda com nossas lanças. Uma nação não levantará a espada contra outra nação - nem aprenderão a guerra novamente. E ninguém mais sentirá medo, pois isto falou o Senhor das Hostes.
Oração Cristã pela Paz
Benditos são os que fazem a paz, pois eles serão chamados Filhos de Deus. Pois eu lhes digo: ouçam e amem os seus inimigos, façam o bem aos que te odeiam, abençoem aqueles que te maldizem, orem pelos que te humilham. Aos que lhes batem no rosto, ofereçam a outra face, e aos que lhes tiram as vestes, ofereçam também a capa. Dêem aos que pedem, e aos que tomam seus bens, não os peça de volta. E façam aos outros aquilo que quiserem que os outros façam a vocês.
AMÉM
---
Ter contato com esse "Ecumenismo", ao longo de algum tempo, tem me feito refletir muito. Tenho aprendido bastante com tantas outras culturas e religiões. Tenho admirado cada vez mais os diversos caminhos para se chegar a Deus. E nesse aprendizado do RESPEITO e do AMOR, algo fascinante acontece: à medida que conheço e respeito outras religiões, mais admiro e amo aquela a qual sigo o caminho. À medida que aprendo e respeito com tantos mestres espirituais, mais admiro e me apaixono com Aquele a Quem sigo os passos. E tudo isso com cada vez menos sentimento de posse, fanatismo ou imposição sobre as outras crenças. Muito pelo contrário. Acho que tem muito a ver com a "Unidade" da qual falava Jesus. Quanto mais nos aproximamos dessa Unidade, mais nos aproximamos de Deus... O Deus Universal.
E Unidade não é fusão. Isso desconsidera a diversidade humana, criada por Deus.
Unidade é respeito e amor na diversidade, é centralizar os pontos comuns em prol do Bem e da Vida plena a todos os seres humanos diferentes e iguais!
"Pra que todos sejam Um!"
Ó Grande Espírito de nossos Ancestrais, elevo meu cachimbo e Ti. Aos teus mensageiros, os quatro ventos, e à Mãe Terra, que alimenta seus filhos. Dê-nos a sabedoria para ensinar nossos filhos a amarem, respeitarem e serem gentis uns com os outros, para que possam crescer com idéias de paz. Que possamos aprender a partilhar as coisas boas que nos ofereces aqui na Terra.
Oração Parse pela Paz
Oramos a Deus para erradicar toda a miséria do mundo: que a compreensão triunfe sobre a ignorância, que a generosidade triunfe sobre a indiferença, que a confiança triunfe sobre o desprezo, e que a verdade triunfe sobre a falsidade.
Oração Judaica pela Paz
Vamos subir a montanha do Senhor, para que possamos trilhar os caminhos do Mais Alto. Vamos forjar arados de nossas espadas, e ganchos de poda com nossas lanças. Uma nação não levantará a espada contra outra nação - nem aprenderão a guerra novamente. E ninguém mais sentirá medo, pois isto falou o Senhor das Hostes.
Oração Cristã pela Paz
Benditos são os que fazem a paz, pois eles serão chamados Filhos de Deus. Pois eu lhes digo: ouçam e amem os seus inimigos, façam o bem aos que te odeiam, abençoem aqueles que te maldizem, orem pelos que te humilham. Aos que lhes batem no rosto, ofereçam a outra face, e aos que lhes tiram as vestes, ofereçam também a capa. Dêem aos que pedem, e aos que tomam seus bens, não os peça de volta. E façam aos outros aquilo que quiserem que os outros façam a vocês.
AMÉM
---
Ter contato com esse "Ecumenismo", ao longo de algum tempo, tem me feito refletir muito. Tenho aprendido bastante com tantas outras culturas e religiões. Tenho admirado cada vez mais os diversos caminhos para se chegar a Deus. E nesse aprendizado do RESPEITO e do AMOR, algo fascinante acontece: à medida que conheço e respeito outras religiões, mais admiro e amo aquela a qual sigo o caminho. À medida que aprendo e respeito com tantos mestres espirituais, mais admiro e me apaixono com Aquele a Quem sigo os passos. E tudo isso com cada vez menos sentimento de posse, fanatismo ou imposição sobre as outras crenças. Muito pelo contrário. Acho que tem muito a ver com a "Unidade" da qual falava Jesus. Quanto mais nos aproximamos dessa Unidade, mais nos aproximamos de Deus... O Deus Universal.
E Unidade não é fusão. Isso desconsidera a diversidade humana, criada por Deus.
Unidade é respeito e amor na diversidade, é centralizar os pontos comuns em prol do Bem e da Vida plena a todos os seres humanos diferentes e iguais!
"Pra que todos sejam Um!"
novembro 17, 2006
Orações pela Paz - parte 2
Oração Sikh pela Paz
Deus nos julga segundo nossas ações, não de acordo com o traje que nos cobre; a verdade está acima de tudo, mas ainda mais alto está o viver em verdade. Saibam que atingimos a Deus quando amamos, e a única vitória que perdura é aquela que não deixa nenhum derrotado.
Oração Bahá'í pela Paz
Seja generoso na prosperidade e grato na adversidade. Seja justo ao julgar e comedido ao falar. Seja uma luz para aqueles que caminham na escuridão, e um lar para o forasteiro. Seja os olhos para o cego e um guia para os errantes. Seja um sopro de vida para o corpo da humanidade, orvalho para o solo do coração dos homens, e seja a fruta da árvore da humildade.
Oração Shintoísta pela Paz
Embora as pessoas que vivem do outro lado do oceano que nos rodeia, eu creio, sejam todas nossos irmãos e irmãs, por que há sempre tribulação neste mundo? Por que os ventos e as ondas se levantam no oceano que nos circunda? Desejo de todo coração que o vento logo leve embora todas as nuvens que pairam sobre os picos das montanhas.
Oração dos Nativos Africanos pela Paz
Deus Todo-Poderoso, Grande Polegar que ata todos os nós, Trovão que ruge e parte as grandes árvores; Senhor que tudo vê lá de cima, que vê até as pegadas do antílope nas rochas aqui na Terra, Vós sois aquele que não hesita em responder a nosso chamado. Vós sois a pedra angular da Paz.
Deus nos julga segundo nossas ações, não de acordo com o traje que nos cobre; a verdade está acima de tudo, mas ainda mais alto está o viver em verdade. Saibam que atingimos a Deus quando amamos, e a única vitória que perdura é aquela que não deixa nenhum derrotado.
Oração Bahá'í pela Paz
Seja generoso na prosperidade e grato na adversidade. Seja justo ao julgar e comedido ao falar. Seja uma luz para aqueles que caminham na escuridão, e um lar para o forasteiro. Seja os olhos para o cego e um guia para os errantes. Seja um sopro de vida para o corpo da humanidade, orvalho para o solo do coração dos homens, e seja a fruta da árvore da humildade.
Oração Shintoísta pela Paz
Embora as pessoas que vivem do outro lado do oceano que nos rodeia, eu creio, sejam todas nossos irmãos e irmãs, por que há sempre tribulação neste mundo? Por que os ventos e as ondas se levantam no oceano que nos circunda? Desejo de todo coração que o vento logo leve embora todas as nuvens que pairam sobre os picos das montanhas.
Oração dos Nativos Africanos pela Paz
Deus Todo-Poderoso, Grande Polegar que ata todos os nós, Trovão que ruge e parte as grandes árvores; Senhor que tudo vê lá de cima, que vê até as pegadas do antílope nas rochas aqui na Terra, Vós sois aquele que não hesita em responder a nosso chamado. Vós sois a pedra angular da Paz.
novembro 14, 2006
Orações pela Paz - parte 1
Oração Hindu pela Paz
Ó Deus, leva-nos do irreal para o real. Ó Deus, leva-nos da escuridão para a luz. Ó Deus, leva-nos da morte para a imortalidade. Shanti, Shanti, Shanti a todos. Ó Senhor, Deus Todo-Poderoso, que haja paz nas regiões celestiais. Que haja paz sobre a Terra. Que as águas sejam apacentadoras. Que as ervas sejam nutritivas, e que as árvores e plantas tragam paz a todos. Que todos os seres benéficos tragam-nos a paz. Que a Lei dos Vedas propague a paz por todo o mundo. Que todas as coisas sejam fonte de paz para nós. E que a Vossa paz possa trazer a paz a todos, e a mim também.
Oração Budista pela Paz
Que todos os seres, de todos os lugares, afligidos por sofrimentos do corpo e da mente sejam logo libertados de suas enfermidades. Que os temerosos deixem de ter medo e os agrilhoados sejam libertos. Que o impotente encontre força, e que os povos desejem a amizade uns dos outros. Que aqueles que se encontram no ermo sem caminhos e amedrontados - as crianças, os velhos e os desprotegidos - sejam guiados por entes celestiais benéficos, e que rapidamente atinjam a condição de Buda.
Oração Jainista pela Paz
A Paz e o Amor Universal são a essência do Evangelho pregado por todos os Seres Iluminados. O Senhor disse que a equanimidade é o Dharma. Perdôo a todas as criaturas e que todas as criaturas me perdoem. Por todos tenho amizade e por nenhuma criatura inimizade. Saiba que a violência é a causa raiz de todas as misérias do mundo. A violência é de fato o nó que aprisiona. "Não ofenda nenhum ser vivo." Este é o caminho eterno, perene e inalterável da vida espiritual. Por mais poderosa que seja uma arma, ela sempre pode ser sobrepujada por outra; mas nenhuma arma pode ser superior à não-violência e ao amor.
Oração Maometana pela Paz
Em nome da Allah, o benéfico, o misericordioso. Graças ao Senhor do Universo que nos criou e distribuiu em tribos e nações. Que possamos nos conhecer, sem nos desprezarmos uns aos outros. Se o inimigo se inclina para a paz, incline-se você também para a paz, e confia em Deus, pois o Senhor é aquele que ouve e conhece todas as coisas. E entre os servos de Deus, Cheios de Graça são aqueles que andam sobre a Terra em humildade, e quando nos dirigimos a eles dizemos "PAZ".
Ó Deus, leva-nos do irreal para o real. Ó Deus, leva-nos da escuridão para a luz. Ó Deus, leva-nos da morte para a imortalidade. Shanti, Shanti, Shanti a todos. Ó Senhor, Deus Todo-Poderoso, que haja paz nas regiões celestiais. Que haja paz sobre a Terra. Que as águas sejam apacentadoras. Que as ervas sejam nutritivas, e que as árvores e plantas tragam paz a todos. Que todos os seres benéficos tragam-nos a paz. Que a Lei dos Vedas propague a paz por todo o mundo. Que todas as coisas sejam fonte de paz para nós. E que a Vossa paz possa trazer a paz a todos, e a mim também.
Oração Budista pela Paz
Que todos os seres, de todos os lugares, afligidos por sofrimentos do corpo e da mente sejam logo libertados de suas enfermidades. Que os temerosos deixem de ter medo e os agrilhoados sejam libertos. Que o impotente encontre força, e que os povos desejem a amizade uns dos outros. Que aqueles que se encontram no ermo sem caminhos e amedrontados - as crianças, os velhos e os desprotegidos - sejam guiados por entes celestiais benéficos, e que rapidamente atinjam a condição de Buda.
Oração Jainista pela Paz
A Paz e o Amor Universal são a essência do Evangelho pregado por todos os Seres Iluminados. O Senhor disse que a equanimidade é o Dharma. Perdôo a todas as criaturas e que todas as criaturas me perdoem. Por todos tenho amizade e por nenhuma criatura inimizade. Saiba que a violência é a causa raiz de todas as misérias do mundo. A violência é de fato o nó que aprisiona. "Não ofenda nenhum ser vivo." Este é o caminho eterno, perene e inalterável da vida espiritual. Por mais poderosa que seja uma arma, ela sempre pode ser sobrepujada por outra; mas nenhuma arma pode ser superior à não-violência e ao amor.
Oração Maometana pela Paz
Em nome da Allah, o benéfico, o misericordioso. Graças ao Senhor do Universo que nos criou e distribuiu em tribos e nações. Que possamos nos conhecer, sem nos desprezarmos uns aos outros. Se o inimigo se inclina para a paz, incline-se você também para a paz, e confia em Deus, pois o Senhor é aquele que ouve e conhece todas as coisas. E entre os servos de Deus, Cheios de Graça são aqueles que andam sobre a Terra em humildade, e quando nos dirigimos a eles dizemos "PAZ".
novembro 02, 2006
Novembro
Novembro adentrando...
E meu coração agradece pela vida... Pela amizade... Pelo carinho de Deus manifestado ao meu redor...
Hoje, ele chora de saudades... Em memória... Mas consolado. Imensamente.
"A saudade é a presença de uma ausência" (Rubem Alves).
Saudade linda. Saudade e fé. Fé e Dor. Mas dor e esperança...
"Teus pés já pisaram espinhos...
Uniste a amargura à solidão...
Caminhe agora por entre as flores...
Abrace o infinito... E viva..."
E meu coração agradece pela vida... Pela amizade... Pelo carinho de Deus manifestado ao meu redor...
Hoje, ele chora de saudades... Em memória... Mas consolado. Imensamente.
"A saudade é a presença de uma ausência" (Rubem Alves).
Saudade linda. Saudade e fé. Fé e Dor. Mas dor e esperança...
"Teus pés já pisaram espinhos...
Uniste a amargura à solidão...
Caminhe agora por entre as flores...
Abrace o infinito... E viva..."
outubro 30, 2006
Sobre política, formigas e cigarras :P
Confesso que estava desanimada. Cansada. Daqueles tipos alienados, desacreditada da política novamente...
Confesso que não consegui ver nenhum debate inteiro, desde o primeiro turno, sem que desligasse a televisão por impaciência ou nervosismo (com exceção do último, na sexta-feira - se bem que não desliguei por pouco!).
Confesso que outro dia, já não acreditava em mais nenhum candidato...
Confesso que às vezes, vontade houve de anular o voto (se eu fosse à minha zona eleitoral votar, que fica a algumas centenas de quilômetros de onde estou).
Mas... confesso que voltei a ter fé.
Confesso que quero acreditar que é possível uma política com atitude, honestidade, ética e amor.
Confesso que sei que há joio no trigo... Que há daninhas nas plantações... E que isso é quase inevitável.
(uma dica: "Conversas sobre Política", do Rubem Alves, guarda crônicas ótimas sobre o assunto... inclusive, perdi o meu exemplar - esqueci-o durante uma viagem, para variar... rs - sem nem mesmo terminar de lê-lo! snif).
E confesso que nõa estou tão triste com o resultado deste domingo. :) (levando-se em consideração nossas opções :P).
Com todo respeito ao candidato oposto... ;)
E que nossos votos sejam cada vez melhores (e nossos candidatos também... principalmente. :D hehe!)
---
Pra esquecer um pouco de política... um post que não o blogger não quis aceitar uns dias atrás:
---
FORMIGAS E CIGARRAS
Quem não sabe cozinhar, tenta fazer do seu não-saber algo útil, não é?
A última que saiu foi essa:
"Cozinhar é como viver. Você precisa arriscar. Se você errar, isso não vai lhe render mais do que uma dor de barriga e alguma experiência. Da próxima vez, você acerta. Ou dentro de algumas vezes.
Cozinhar é como viver. Só se aprende na prática. Com muita tentativa e erro. E, principalmente, com amor!"
Aqui em casa, dizem que eu sou a cigarra. Enquanto as formiguinhas trabalham, eu canto e toco para alegrá-las! :P
(mas também não é assim... de vez em quando eu também me visto de formiguinha... hehehe).
Confesso que não consegui ver nenhum debate inteiro, desde o primeiro turno, sem que desligasse a televisão por impaciência ou nervosismo (com exceção do último, na sexta-feira - se bem que não desliguei por pouco!).
Confesso que outro dia, já não acreditava em mais nenhum candidato...
Confesso que às vezes, vontade houve de anular o voto (se eu fosse à minha zona eleitoral votar, que fica a algumas centenas de quilômetros de onde estou).
Mas... confesso que voltei a ter fé.
Confesso que quero acreditar que é possível uma política com atitude, honestidade, ética e amor.
Confesso que sei que há joio no trigo... Que há daninhas nas plantações... E que isso é quase inevitável.
(uma dica: "Conversas sobre Política", do Rubem Alves, guarda crônicas ótimas sobre o assunto... inclusive, perdi o meu exemplar - esqueci-o durante uma viagem, para variar... rs - sem nem mesmo terminar de lê-lo! snif).
E confesso que nõa estou tão triste com o resultado deste domingo. :) (levando-se em consideração nossas opções :P).
Com todo respeito ao candidato oposto... ;)
E que nossos votos sejam cada vez melhores (e nossos candidatos também... principalmente. :D hehe!)
---
Pra esquecer um pouco de política... um post que não o blogger não quis aceitar uns dias atrás:
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FORMIGAS E CIGARRAS
Quem não sabe cozinhar, tenta fazer do seu não-saber algo útil, não é?
A última que saiu foi essa:
"Cozinhar é como viver. Você precisa arriscar. Se você errar, isso não vai lhe render mais do que uma dor de barriga e alguma experiência. Da próxima vez, você acerta. Ou dentro de algumas vezes.
Cozinhar é como viver. Só se aprende na prática. Com muita tentativa e erro. E, principalmente, com amor!"
Aqui em casa, dizem que eu sou a cigarra. Enquanto as formiguinhas trabalham, eu canto e toco para alegrá-las! :P
(mas também não é assim... de vez em quando eu também me visto de formiguinha... hehehe).
outubro 10, 2006
Pintando o feminino
"(...)
letras eu quero é pra pedir emprego,
agradecer favores,
escrever meu nome completo.
O mais são as mal-traçadas linhas."
(Adélia Prado - O que a musa eterna canta)
"(...)
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho."
(Adélia Prado, amor feinho)
"(...)
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"
(Adélia Prado, serenata)
"Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."
(Clarice Lispector)
"O que é belo
é belo aos olhos
- e basta.
Mas o que é bom
É subitamente belo."
(Safo, O belo e o bom)
letras eu quero é pra pedir emprego,
agradecer favores,
escrever meu nome completo.
O mais são as mal-traçadas linhas."
(Adélia Prado - O que a musa eterna canta)
"(...)
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho."
(Adélia Prado, amor feinho)
"(...)
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"
(Adélia Prado, serenata)
"Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."
(Clarice Lispector)
"O que é belo
é belo aos olhos
- e basta.
Mas o que é bom
É subitamente belo."
(Safo, O belo e o bom)
setembro 18, 2006
Achados e perdidos
Hoje resolvi organizar duas gavetas há tanto tempo estagnadas...
Quanto detalhe escondido, esquecido, relembrado.
Achei até mesmo, lá no fundo, um pedaço de papel rasgado... E nele, um poema datado de 30 de março deste ano... intitulado "Melancolia."
"Busco papel e caneta
e ponho-me a escrever
dos amores que nunca tive.
Mares não navegados
Almas desvanecidas
Rostos incomparados
Belas adormecidas
Leques de compaixão
Daqueles que já morreram
Néctar de tantas mãos
que os horizontes não conheceram..."
Sem comentários... não tenho lembranças do porquê deste escrito, muito menos de seu título... Apenas imagino. E ficamos por aqui. :)
Quanto detalhe escondido, esquecido, relembrado.
Achei até mesmo, lá no fundo, um pedaço de papel rasgado... E nele, um poema datado de 30 de março deste ano... intitulado "Melancolia."
"Busco papel e caneta
e ponho-me a escrever
dos amores que nunca tive.
Mares não navegados
Almas desvanecidas
Rostos incomparados
Belas adormecidas
Leques de compaixão
Daqueles que já morreram
Néctar de tantas mãos
que os horizontes não conheceram..."
Sem comentários... não tenho lembranças do porquê deste escrito, muito menos de seu título... Apenas imagino. E ficamos por aqui. :)
agosto 21, 2006
Orgulho e perdão
Às vezes, bate aquele medo de ser hipócrita. Mas aí eu procuro o sentido no medo. Alguma coisa aí deve existir para que eu me sinta incomodada.
É que muitas vezes falamos tanto e escrevemos tanto, e outras muitas vezes deixamos de fazer aquilo que tanto falamos e escrevemos...
Tenho meus defeitos, e tenho consciência deles. Defeitos é uma palavra forte, né? Parece que há galhos podres em nós. Talvez. Mas o que quero dizer é que tenho algumas características (aprendidas, herdadas) que, em certos momentos, não me fazem crescer, muito menos amar.
Tantas vezes sou preguiçosa, que acabo postergando as coisas, os fatos.
Tantas vezes sou impaciente, que acabo sendo grossa ou mal-humorada.
Tantas vezes sou orgulhosa, que acabo não reconhecendo meus erros, minhas limitações, muito menos me abaixando pra pedir perdão ou para perdoar.
Tantas vezes sou... flagelo, espinho, eclipse...
Geralmente me arrependo depois de uma palavra mal-dita, uma atitude mal-tomada, coisas que machucam os outros, principalmente aqueles que estão mais perto, e que amo tanto...
E o que mais me impede de caminhar pra frente é o orgulho... Orgulho que me enrosca em mim mesma, que me embrulha em um auto-julgamente hipócrita, em uma auto-flagelação que de nada adianta e de nada me acrescenta. Orgulho que fica apontando os erros dos outros para justificar a falta de pedir perdão e de perdoar...
E aí vejo que, se tenho forças para perdoar a mim mesma, terei para pedir perdão aos outros pelas feridas que deixo e faço. E também para perdoar as feridas que deixam e fazem em mim...
Tudo para que "Ele cresça e eu diminua"...
---
"Perdão, Senhor!
Embora bem intencionado e cheio de boa vontade, nem sempre acertei em meu relacionamento humano.
Eu queria ser uma flor e fui um espinho...
Eu queria ser sorriso e fui mágoa...
Eu queria ser luz e fui trevas...
Eu queria ser estrela e fui eclipse...
Eu queria ser contentamento e fui tristeza...
Eu queria ser força e fui fraqueza...
Eu queria ser o amanhã e fui o ontem...
Eu queria ser paz e fui guerra...
Eu queria ser vida e fui morte...
Eu queria ser carinho e fui rudeza...
Eu queria ser sobrenatural e fui terreno...
Eu queria ser lenitivo e fui flagelo...
Eu queria ser amor e fui decepção...
Recebe, Senhor, em tuas mãos de misericórdia e perdão infinito o gosto amargo desta revisão."
(Pe. Rafael Lopes C.M.)
É que muitas vezes falamos tanto e escrevemos tanto, e outras muitas vezes deixamos de fazer aquilo que tanto falamos e escrevemos...
Tenho meus defeitos, e tenho consciência deles. Defeitos é uma palavra forte, né? Parece que há galhos podres em nós. Talvez. Mas o que quero dizer é que tenho algumas características (aprendidas, herdadas) que, em certos momentos, não me fazem crescer, muito menos amar.
Tantas vezes sou preguiçosa, que acabo postergando as coisas, os fatos.
Tantas vezes sou impaciente, que acabo sendo grossa ou mal-humorada.
Tantas vezes sou orgulhosa, que acabo não reconhecendo meus erros, minhas limitações, muito menos me abaixando pra pedir perdão ou para perdoar.
Tantas vezes sou... flagelo, espinho, eclipse...
Geralmente me arrependo depois de uma palavra mal-dita, uma atitude mal-tomada, coisas que machucam os outros, principalmente aqueles que estão mais perto, e que amo tanto...
E o que mais me impede de caminhar pra frente é o orgulho... Orgulho que me enrosca em mim mesma, que me embrulha em um auto-julgamente hipócrita, em uma auto-flagelação que de nada adianta e de nada me acrescenta. Orgulho que fica apontando os erros dos outros para justificar a falta de pedir perdão e de perdoar...
E aí vejo que, se tenho forças para perdoar a mim mesma, terei para pedir perdão aos outros pelas feridas que deixo e faço. E também para perdoar as feridas que deixam e fazem em mim...
Tudo para que "Ele cresça e eu diminua"...
---
"Perdão, Senhor!
Embora bem intencionado e cheio de boa vontade, nem sempre acertei em meu relacionamento humano.
Eu queria ser uma flor e fui um espinho...
Eu queria ser sorriso e fui mágoa...
Eu queria ser luz e fui trevas...
Eu queria ser estrela e fui eclipse...
Eu queria ser contentamento e fui tristeza...
Eu queria ser força e fui fraqueza...
Eu queria ser o amanhã e fui o ontem...
Eu queria ser paz e fui guerra...
Eu queria ser vida e fui morte...
Eu queria ser carinho e fui rudeza...
Eu queria ser sobrenatural e fui terreno...
Eu queria ser lenitivo e fui flagelo...
Eu queria ser amor e fui decepção...
Recebe, Senhor, em tuas mãos de misericórdia e perdão infinito o gosto amargo desta revisão."
(Pe. Rafael Lopes C.M.)
agosto 15, 2006
Ainda...
Porque ainda capto em seus olhos a indignação contra tudo aquilo que não podemos acostumar.
Porque ainda percebo em sua fala a coragem para denunciar o que precisa ser combatido.
Porque ainda vejo uma pessoa que não tem medo de peitar os opressores e poderosos para defender os oprimidos e marginalizados.
Porque ainda não sinto hipocrisia nessas atitudes.
Porque é difícil encontrar nos outros olhos, nas outras palavras, nas outras atitudes e promessas, toda essa indignação, coragem, paixão...
"Não quero acabar com o bolsa-família, quero acabar com o bolsa-banqueiros!" (Hoje, no debate da Band).
Porque ainda percebo em sua fala a coragem para denunciar o que precisa ser combatido.
Porque ainda vejo uma pessoa que não tem medo de peitar os opressores e poderosos para defender os oprimidos e marginalizados.
Porque ainda não sinto hipocrisia nessas atitudes.
Porque é difícil encontrar nos outros olhos, nas outras palavras, nas outras atitudes e promessas, toda essa indignação, coragem, paixão...
"Não quero acabar com o bolsa-família, quero acabar com o bolsa-banqueiros!" (Hoje, no debate da Band).
agosto 11, 2006
Saudades
Há quanto tempo não sonho mais com ela; e pensar nisso dá até medo de esquecê-la, o que sei que nunca acontecerá.
A cada época de voltar é uma lembrança que se acende...
Que saudades de seu sorriso raro, ao rir de si mesma ou de vergonha, ou ao ver uma criança...
Que dor ao bater na porta e saber que não suas mãos ásperas nunca mais as abrirão...
Ou seus calmos passos que nunca mais se aproximarão em busca de uma resposta para uma ingênua pergunta, "Estados Unidos é perto de São Paulo?", "Por que esse povo faz guerra assim?", "O que é comunidade?"...
Ou de sua voz que não mais relatarão-me seus sonhos e pesadelos, "O que será que isso significa?"...
Mas antes de me prender ao meu egoísmo, lembro-me da paz e alegria que a embalam hoje, paz e alegria que me confortam...
A cada época de voltar é uma lembrança que se acende...
Que saudades de seu sorriso raro, ao rir de si mesma ou de vergonha, ou ao ver uma criança...
Que dor ao bater na porta e saber que não suas mãos ásperas nunca mais as abrirão...
Ou seus calmos passos que nunca mais se aproximarão em busca de uma resposta para uma ingênua pergunta, "Estados Unidos é perto de São Paulo?", "Por que esse povo faz guerra assim?", "O que é comunidade?"...
Ou de sua voz que não mais relatarão-me seus sonhos e pesadelos, "O que será que isso significa?"...
Mas antes de me prender ao meu egoísmo, lembro-me da paz e alegria que a embalam hoje, paz e alegria que me confortam...
agosto 03, 2006
Revitalícia
Como quem faz festa em dia comum!
Leve e livre, como anágua de saia
sem dona!
Chinelas havaianas em pedal de bicicleta,
Quanto bom, revitalícia!
Como rasgar a casca da maçã,
E abocanhar a prova da tentação mais pura!
E abrir a janela de manhã
Pra dar de cara com uma estrela d'alva,
feliz, revitalícia!
Delícia, delícia de ares maiores
Peito esvaziado como colchão de ar
furado!
Esquecer o vão é bom,
relembrar as mãos ainda mais!
Quero a nuvem mais densa que vejo da rede
onde deito meus pés.
E penso na saudade
do que ficou de tudo: o que vale.
Revitalícia...
Só assim desejo o sol.
Ao provar da lua fresca.
Só assim desejo a lua
Ao provar do sol minguante.
Quanto bom, revitalícia!
Leve e livre, como anágua de saia
sem dona!
Chinelas havaianas em pedal de bicicleta,
Quanto bom, revitalícia!
Como rasgar a casca da maçã,
E abocanhar a prova da tentação mais pura!
E abrir a janela de manhã
Pra dar de cara com uma estrela d'alva,
feliz, revitalícia!
Delícia, delícia de ares maiores
Peito esvaziado como colchão de ar
furado!
Esquecer o vão é bom,
relembrar as mãos ainda mais!
Quero a nuvem mais densa que vejo da rede
onde deito meus pés.
E penso na saudade
do que ficou de tudo: o que vale.
Revitalícia...
Só assim desejo o sol.
Ao provar da lua fresca.
Só assim desejo a lua
Ao provar do sol minguante.
Quanto bom, revitalícia!
julho 18, 2006
Inspiração
Não há mais inspiração...
Onde ela foi parar?
Polímnio fugido
Olhos derretidos
Flores murchas, flores secas.
Não tenho mais as orquídeas
Não tenho mais os passos
Muito menos as palavras.
O que resta?
Os flocos de areia no ar...
Big-bang!
Onde ela foi parar?
Polímnio fugido
Olhos derretidos
Flores murchas, flores secas.
Não tenho mais as orquídeas
Não tenho mais os passos
Muito menos as palavras.
O que resta?
Os flocos de areia no ar...
Big-bang!
julho 11, 2006
Corridinho
"O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é."
(Corridinho. ADÉLIA PRADO)
julho 05, 2006
Ônibus 174
Belo Horizonte, abril de 2006. Disciplina: Psicologia social. A professora pediu um comentário subjetivo, pessoal, que exprimisse nossos sentimentos e pensamentos ao ver o documentário.
Aí está.
"Como perdi a exibição em sala de aula, assisti ao documentário 'Ônibus 174', de José Padilha, sozinha em minha casa, e isso talvez me deixou menos inibida para exprimir toda a angústia que senti ao ver o filme. Achei a idéia muito inteligente e dilacerante. Um verdadeiro sacolejo de realidade, ao fazer repensar nossa maneira de ser, de agir e de pensar como parte integrante de uma sociedade.
Na verdade, tanto fiquei paralisada pelo filme, que sinto dificuldade até mesmo em comentá-lo. Como se fosse uma gota diante do desespero que provei, e diante do que merece ser refletido. Sendo assim, serei breve no que tenho a discorrer, porque creio que conseguirei menos dizer do que sentir.
Meus comentários não se darão na questão de 'vitimização' e 'culpa' do Sandro. Na minha opinião, não é a principal reflexão a se fazer acerca dos fatos e dados apresentados. Mesmo porque, se paralisarmos na reflexão de vítima-algoz, a nenhuma conclusão chegaremos além da de que não há julgamento a ser feito. Na verdade, interpreto a idéia do filme como uma maneira de repensar todos esses julgamentos que fazemos, das ideologias que participamos, da maneira infantil e simplista como a sociedade e a polícia reagem frente a uma situação como essa. Tanto não parece ser a idéia do diretor parar naquele tipo de reflexão, que ele fez questão de ouvir todos os pontos de vista envolvidos: a polícia, a família de Sandro, os amigos "de rua", os ocupantes do ônibus, a imprensa.
Ainda assim, alguns depoimentos parecem irônicos. Como o discurso recorrente da polícia sobre "atirar no momento certo ou não": qual momento deveriam ter atirado, por que não atiraram naquele, por que demoraram tanto para atirar... Tudo é dito com naturalidade e de uma forma como se ouvir aquilo também fosse tão natural quanto terem dito. Esse discurso é relatado pelos policiais como se, sem sombra de dúvidas, ter atirado no Sandro no momento certo dentro do ônibus fosse a solução ideal. E discordar disso não necessariamente significa colocar o Sandro como uma vítima que não merece morrer (como normalmente concorda-se porque "esse bandido merece morrer mesmo"), mas como já disse, uma maneira de repensar essas soluções simplistas, de negar a realidade que nós mesmos criamos e alimentamos, ignoramos, e depois queremos simplesmente (e, no caso, literalmente) sufocar, abafar.
Abandonar um pouco a velha discussão de vítima-algoz e ouvir os gritos do Sandro. Os gritos que jamais foram ouvidos, gritos que desde pequeno ele insistia em trazer. Os gritos de denúncia que não queremos ouvir. Se não é possível que ouçamos em paz, ouçamos à força. Talvez o Sandro compreendeu essa "verdade" ao longo de sua vida. A sociedade não ouve a miséria, o sofrimento, a exclusão, e injustiça social e todas essas terríveis formas de violência. Se simplesmente ignoramos toda essa realidade nua que se nos apresenta, a saída encontrada pela própria então é nos jogar tudo isso "na cara", de uma maneira que nos envolva diretamente. Se achamos que desprezando tudo, nos isentamos de nos relacionar com essa "alter-realidade", ela então se volta para nós do mesmo jeito como fazemos para com ela: de maneira fria, maldosa, fatídica, desesperadora."
(Abril de 2006).
Aí está.
"Como perdi a exibição em sala de aula, assisti ao documentário 'Ônibus 174', de José Padilha, sozinha em minha casa, e isso talvez me deixou menos inibida para exprimir toda a angústia que senti ao ver o filme. Achei a idéia muito inteligente e dilacerante. Um verdadeiro sacolejo de realidade, ao fazer repensar nossa maneira de ser, de agir e de pensar como parte integrante de uma sociedade.
Na verdade, tanto fiquei paralisada pelo filme, que sinto dificuldade até mesmo em comentá-lo. Como se fosse uma gota diante do desespero que provei, e diante do que merece ser refletido. Sendo assim, serei breve no que tenho a discorrer, porque creio que conseguirei menos dizer do que sentir.
Meus comentários não se darão na questão de 'vitimização' e 'culpa' do Sandro. Na minha opinião, não é a principal reflexão a se fazer acerca dos fatos e dados apresentados. Mesmo porque, se paralisarmos na reflexão de vítima-algoz, a nenhuma conclusão chegaremos além da de que não há julgamento a ser feito. Na verdade, interpreto a idéia do filme como uma maneira de repensar todos esses julgamentos que fazemos, das ideologias que participamos, da maneira infantil e simplista como a sociedade e a polícia reagem frente a uma situação como essa. Tanto não parece ser a idéia do diretor parar naquele tipo de reflexão, que ele fez questão de ouvir todos os pontos de vista envolvidos: a polícia, a família de Sandro, os amigos "de rua", os ocupantes do ônibus, a imprensa.
Ainda assim, alguns depoimentos parecem irônicos. Como o discurso recorrente da polícia sobre "atirar no momento certo ou não": qual momento deveriam ter atirado, por que não atiraram naquele, por que demoraram tanto para atirar... Tudo é dito com naturalidade e de uma forma como se ouvir aquilo também fosse tão natural quanto terem dito. Esse discurso é relatado pelos policiais como se, sem sombra de dúvidas, ter atirado no Sandro no momento certo dentro do ônibus fosse a solução ideal. E discordar disso não necessariamente significa colocar o Sandro como uma vítima que não merece morrer (como normalmente concorda-se porque "esse bandido merece morrer mesmo"), mas como já disse, uma maneira de repensar essas soluções simplistas, de negar a realidade que nós mesmos criamos e alimentamos, ignoramos, e depois queremos simplesmente (e, no caso, literalmente) sufocar, abafar.
Abandonar um pouco a velha discussão de vítima-algoz e ouvir os gritos do Sandro. Os gritos que jamais foram ouvidos, gritos que desde pequeno ele insistia em trazer. Os gritos de denúncia que não queremos ouvir. Se não é possível que ouçamos em paz, ouçamos à força. Talvez o Sandro compreendeu essa "verdade" ao longo de sua vida. A sociedade não ouve a miséria, o sofrimento, a exclusão, e injustiça social e todas essas terríveis formas de violência. Se simplesmente ignoramos toda essa realidade nua que se nos apresenta, a saída encontrada pela própria então é nos jogar tudo isso "na cara", de uma maneira que nos envolva diretamente. Se achamos que desprezando tudo, nos isentamos de nos relacionar com essa "alter-realidade", ela então se volta para nós do mesmo jeito como fazemos para com ela: de maneira fria, maldosa, fatídica, desesperadora."
(Abril de 2006).
junho 26, 2006
Palavras de papel e Palavras sem palavras
Ouço dizer que dar presentes às pessoas é um grande desafio. O valor capital, externo e de acesso limitado, ultrapassa o valor simbólico, cujo acesso é interior e universal, mas parece ainda mais difícil de ser percebido...
Eu gosto muito de ganhar "palavras de papel". Cartas, cartões, cartinhas... Nenhum presente me agrada tanto quanto um envelope recheado dessas coisas tão esquisitas, ambíguas, malucas e corriqueiras que são as palavras! Tem coisa mais humana que a linguagem?
Mais do que isso, só mesmo um abraço bem gostoso, daqueles que demoram mais de 8 segundos (isso mesmo), onde as palavras não precisam se fazer presentes, porque já há algo sendo transmitido, de outra forma... ali naquele calor, naquela energia boa de quatro braços que se envolvem. Ali as palavras são inúteis. É a linguagem da não-palavra, palavras ditas sem palavras! O que um abraço longo e quente esconde de significados não cabe em um envelope de papel... Ali, o que há de mais humano se torna presente – mais mesmo do que uma poesia: é a mais sincera demonstração afetiva que emerge da nossa alma, que nos torna semelhantes ao universo da Divindade. Não há maior humanidade do que um gesto de amor.
Eu gosto muito de ganhar "palavras de papel". Cartas, cartões, cartinhas... Nenhum presente me agrada tanto quanto um envelope recheado dessas coisas tão esquisitas, ambíguas, malucas e corriqueiras que são as palavras! Tem coisa mais humana que a linguagem?
Mais do que isso, só mesmo um abraço bem gostoso, daqueles que demoram mais de 8 segundos (isso mesmo), onde as palavras não precisam se fazer presentes, porque já há algo sendo transmitido, de outra forma... ali naquele calor, naquela energia boa de quatro braços que se envolvem. Ali as palavras são inúteis. É a linguagem da não-palavra, palavras ditas sem palavras! O que um abraço longo e quente esconde de significados não cabe em um envelope de papel... Ali, o que há de mais humano se torna presente – mais mesmo do que uma poesia: é a mais sincera demonstração afetiva que emerge da nossa alma, que nos torna semelhantes ao universo da Divindade. Não há maior humanidade do que um gesto de amor.
março 28, 2006
Dor... por entre o silêncio...
E cada canto desta casa traz uma lembrança.
As escadas, a cozinha, o quintal.
Quartos e salas.
Ne memória, sorrisos, olhares, gestos,
uma vida a serviço. O amor.
E sei que hoje ela sorri.
Ela é inteira, ela é plena.
Mas dói sentir saudade
daquilo que não volta.
E ver esses espaços vazios
sabendo que nunca mais verei seus pés
calejados pisarem este chão.
Paz e vida,
Meu amor, minha querida.
E até um dia.
***
Teus pés já pisaram espinhos
Uniste a amargura à solidão.
Caminhe agora por entre as flores
Abrace o infinito. E viva.
****
Saudade... dor... tristeza...
As escadas, a cozinha, o quintal.
Quartos e salas.
Ne memória, sorrisos, olhares, gestos,
uma vida a serviço. O amor.
E sei que hoje ela sorri.
Ela é inteira, ela é plena.
Mas dói sentir saudade
daquilo que não volta.
E ver esses espaços vazios
sabendo que nunca mais verei seus pés
calejados pisarem este chão.
Paz e vida,
Meu amor, minha querida.
E até um dia.
***
Teus pés já pisaram espinhos
Uniste a amargura à solidão.
Caminhe agora por entre as flores
Abrace o infinito. E viva.
****
Saudade... dor... tristeza...
março 04, 2006
Timidez
"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponhos vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão nevegando
nos ares certos do tempo
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei."
(Timidez, CECÍLIA MEIRELES)
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponhos vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão nevegando
nos ares certos do tempo
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei."
(Timidez, CECÍLIA MEIRELES)
fevereiro 28, 2006
Gosto de Gente
"Gosto de gente com a cabeça no lugar,
de conteúdo interno, idealismo nos olhos e
dois pés no chão da realidade.
Gosto de gente que ri, chora,
se emociona com um simples e-mail,
um telefonema, uma canção suave,
um bom filme, um bom livro,
um gesto de carinho,
um abraço, um afago.
Gente que ama e curte saudade,
gosta de amigos, cultiva flores,
ama os animais.
Admira paisagens, poeira e chuva.
Gente que tem tempo
para sorrir bondade,
semear perdão, repartir ternura,
compartilhar vivências e
dar espaço para as emoções dentro de si,
emoções que fluem naturalmente
de dentro de seu ser!
Gente que gosta de fazer as coisas que gosta,
sem fugir de compromissos
difíceis e inadiáveis,
por mais desgastantes que sejam.
Gente que colhe, orienta, se entende,
aconselha, busca a verdade e
quer sempre aprender,
mesmo que seja de uma criança,
de um pobre, de um analfabeto.
Gente de coração desarmado,
sem ódio e preconceitos baratos.
Com muito AMOR dentro de si.
Gente que erra e reconhece,
cai e se levanta,
apanha e assimila os golpes,
tirando lições dos erros e
fazendo redentoras
suas lágrimas e sofrimentos.
Gosto muito de
gente assim.......
e desconfio que é
deste tipo de gente
que Deus também gosta."
(Artur da Távola)
fevereiro 22, 2006
Teoria do Caos
"Tenho percebido
que os caminhos que eu gosto de trilhar
são aqueles que não me dão nenhuma certeza
aqueles nos quais o futuro ainda é incerto e misterioso
mas que o coração não se aguenta
só de pensar no caminho.
Tenho percebido
que os caminhos previsíveis
aqueles fáceis de enxergar o outro lado
aqueles nos quais é possível prever o fim da estrada
Estes já não mexem com minhas alegrias intrínsecas.
Porque o bom da vida é que ela é surpresa.
Os caminhos que a gente não consegue enxergar
guardam novidades pra nossa história.
E até mesmo os caminhos previsíveis
Nunca serão como a gente prevê."
---
Este fim de semana, assistimos o filme "Efeito Borboleta" (recomendo).
Ontem meu irmão me explicava sobre a Teoria do Caos, à luz da física e da matemática (e a historinha da meteorologia :). Que incrível, é muito interessante!
Li um livro de um psiquiatra, em que ele teorizava sobre isso em Psicologia Social, com outro nome: Teoria da Co-Responsabilidade Social. Segundo ele, todos somos responsáveis uns pelos outros - impossível alguém viver socialmente isolado. Uma palavra que eu digo hoje a uma criança, pode influir na sua vida adulta e na vida de outras pessoas. Uma atitude que eu tomo hoje com alguém, daqui a alguns anos pode influir na vida de uma pessoa naquela favela do outro lado do país. Por isso, ninguém vive completamente isolado, nem mesmo em outros "sistemas". Os EUA influem em Cuba e vice-versa; eles não estão isolados. Não existe mais de uma realidade: todos somos uma realidade só, pois influenciamo-nos o tempo todo, a curto e a longo prazo. Por isso, somos co-responsáveis pelos seres humanos, pela humanidade. Querer isolar-se do mundo seria uma atitude egoísta, pois o ato de não-fazer também vai influenciar nas pessoas. Isso não é bonito?
"É dito que um simples bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão no outro lado do mundo."
Link básico interessante: http://www.geocities.com/inthechaos/histo.htm
que os caminhos que eu gosto de trilhar
são aqueles que não me dão nenhuma certeza
aqueles nos quais o futuro ainda é incerto e misterioso
mas que o coração não se aguenta
só de pensar no caminho.
Tenho percebido
que os caminhos previsíveis
aqueles fáceis de enxergar o outro lado
aqueles nos quais é possível prever o fim da estrada
Estes já não mexem com minhas alegrias intrínsecas.
Porque o bom da vida é que ela é surpresa.
Os caminhos que a gente não consegue enxergar
guardam novidades pra nossa história.
E até mesmo os caminhos previsíveis
Nunca serão como a gente prevê."
---
Este fim de semana, assistimos o filme "Efeito Borboleta" (recomendo).
Ontem meu irmão me explicava sobre a Teoria do Caos, à luz da física e da matemática (e a historinha da meteorologia :). Que incrível, é muito interessante!
Li um livro de um psiquiatra, em que ele teorizava sobre isso em Psicologia Social, com outro nome: Teoria da Co-Responsabilidade Social. Segundo ele, todos somos responsáveis uns pelos outros - impossível alguém viver socialmente isolado. Uma palavra que eu digo hoje a uma criança, pode influir na sua vida adulta e na vida de outras pessoas. Uma atitude que eu tomo hoje com alguém, daqui a alguns anos pode influir na vida de uma pessoa naquela favela do outro lado do país. Por isso, ninguém vive completamente isolado, nem mesmo em outros "sistemas". Os EUA influem em Cuba e vice-versa; eles não estão isolados. Não existe mais de uma realidade: todos somos uma realidade só, pois influenciamo-nos o tempo todo, a curto e a longo prazo. Por isso, somos co-responsáveis pelos seres humanos, pela humanidade. Querer isolar-se do mundo seria uma atitude egoísta, pois o ato de não-fazer também vai influenciar nas pessoas. Isso não é bonito?
"É dito que um simples bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão no outro lado do mundo."
Link básico interessante: http://www.geocities.com/inthechaos/histo.htm
fevereiro 20, 2006
Infinito
E é como uma certeza que grita.
Esquisito sentir assim?
Mas acho que um dia a gente ainda se encontra.
Como as retas paralelas que se tocam no infinito.
Esquisito sentir assim?
Mas acho que um dia a gente ainda se encontra.
Como as retas paralelas que se tocam no infinito.
fevereiro 18, 2006
Seleção Pessoal*
"Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Niguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho."
---
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
---
"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar..."
---
"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura... "
---
"A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas."
---
"E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela."
---
"Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"
---
"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce."
---
"Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer."
---
"Quanto mais fundamente penso, mais
Profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar..."
---
"Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar..."
---
"Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade."
---
"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."
---
"Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada
Entregai-vos ao travo doce das delicias
Que filhas são dos seus tormentos
Porém, não busqueis poder no amor
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre."
---
(todos os versos acima são de autoria do poeta português FERNANDO PESSOA)
---
*o duplo sentido é proposital. =P
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Niguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho."
---
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
---
"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar..."
---
"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura... "
---
"A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas."
---
"E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela."
---
"Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"
---
"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce."
---
"Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer."
---
"Quanto mais fundamente penso, mais
Profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar..."
---
"Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar..."
---
"Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade."
---
"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."
---
"Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada
Entregai-vos ao travo doce das delicias
Que filhas são dos seus tormentos
Porém, não busqueis poder no amor
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre."
---
(todos os versos acima são de autoria do poeta português FERNANDO PESSOA)
---
*o duplo sentido é proposital. =P
fevereiro 17, 2006
Nada do que eu pensava encontrar
"Que ao findar vai dar em nada
nada, nada, nada,
nada, nada, nada (...)
Do que eu pensava encontrar."
(Gilberto Gil)
Parece que os caminhos por onde andamos com fé em Deus são assim mesmo. Findam em nada do que a gente pensava encontrar. Mas talvez, o que não esperávamos encontrar faz um bem tão grande pra gente, bem esse que só reconhecemos lá na frente, novamente, quando encontramos nada do que pensávamos encontrar... e assim, caminhamos...
Não desisto, pelo contrário. Apenas prossigo construindo minha história e abrindo meu mar aos navios navegantes...
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
(Fernando Pessoa)
nada, nada, nada,
nada, nada, nada (...)
Do que eu pensava encontrar."
(Gilberto Gil)
Parece que os caminhos por onde andamos com fé em Deus são assim mesmo. Findam em nada do que a gente pensava encontrar. Mas talvez, o que não esperávamos encontrar faz um bem tão grande pra gente, bem esse que só reconhecemos lá na frente, novamente, quando encontramos nada do que pensávamos encontrar... e assim, caminhamos...
Não desisto, pelo contrário. Apenas prossigo construindo minha história e abrindo meu mar aos navios navegantes...
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
(Fernando Pessoa)
fevereiro 14, 2006
Porquês e Esperança
"Talvez as maiores dúvidas que nos acometem
são entre as certezas do que sentimos
e as incertezas do futuro.
Por que duvidar de um certeza?
Ou por que não crer em uma incerteza?
Fáceis serão as respostas racionais,
mas que não satisfazem.
Não é preciso haver porquês.
Por que precisaria?
Desculpe, foi inevitável.
Somos seres de porquês...
E não sei mesmo!
Então, por quê?"
---
"Estranho...
Às vezes tudo parece tão claro
E de repente a luz se apaga.
E quando me acostumo com a escuridão,
ela reacende.
Quem está brincando de esconde-esconde comigo?
Acho que Deus é treinador da boa esperança."
são entre as certezas do que sentimos
e as incertezas do futuro.
Por que duvidar de um certeza?
Ou por que não crer em uma incerteza?
Fáceis serão as respostas racionais,
mas que não satisfazem.
Não é preciso haver porquês.
Por que precisaria?
Desculpe, foi inevitável.
Somos seres de porquês...
E não sei mesmo!
Então, por quê?"
---
"Estranho...
Às vezes tudo parece tão claro
E de repente a luz se apaga.
E quando me acostumo com a escuridão,
ela reacende.
Quem está brincando de esconde-esconde comigo?
Acho que Deus é treinador da boa esperança."
janeiro 29, 2006
Temperos da vida
Minhas (raras) comidas sempre saem sem tempero, porque tenho um danado medo de errar a mão e ficar muito salgado. E o que acontece? Acaba ficando tudo sem gosto nenhum. E aí, eu vou desistindo de cozinhar, porque acho que não levo mesmo jeito pra coisa...
Enquanto almoçava, sozinha e olhando pensativa pras montanhas da janela :), fiquei refletindo em algo parecido. Muitas vezes, minha vida é assim. Tenho medo de dar os passos, medo disso, medo daquilo, medo de viver. E quanto deixo de saborear delícias da vida, por medo de temperá-la. E aí, com o tempo, bate até mesmo o desânimo de tentar...
Das próximas vezes, acho que já sai um pouco mais temperada. Viver, às vezes, também é assim. Errando que a gente aprende o que é certo; experimentando que a gente aprende as medidas exatas. Mas ao conhecer mais a comida que preparo, os temperos que uso, vou sabendo regulá-los. E, na vida, quem me dá esse conhecimento é Deus. Ao abrir-me com confiança para esse conhecimento das minhas "guarnições" e dos meus "condimentos", vou aprendendo a regular a quantidade de temperos da vida... como o aprendiz que confia no Chef! :)
"So don't worry about a thing,
'cause every little thing is gonna be alright..."
(Bob Marley)
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida..."
(S. Kiekegaard)
"Se eu quiser falar com Deus (...)
tenho que folgar os nós
dos sapatos, da gravata,
dos desejos, dos receios (...)
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
tenho que me aventurar
tenho que subir aos céus
sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Das as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
nada, nada, nada (...)
Do que eu pensava encontrar."
(Gilberto Gil)
Enquanto almoçava, sozinha e olhando pensativa pras montanhas da janela :), fiquei refletindo em algo parecido. Muitas vezes, minha vida é assim. Tenho medo de dar os passos, medo disso, medo daquilo, medo de viver. E quanto deixo de saborear delícias da vida, por medo de temperá-la. E aí, com o tempo, bate até mesmo o desânimo de tentar...
Das próximas vezes, acho que já sai um pouco mais temperada. Viver, às vezes, também é assim. Errando que a gente aprende o que é certo; experimentando que a gente aprende as medidas exatas. Mas ao conhecer mais a comida que preparo, os temperos que uso, vou sabendo regulá-los. E, na vida, quem me dá esse conhecimento é Deus. Ao abrir-me com confiança para esse conhecimento das minhas "guarnições" e dos meus "condimentos", vou aprendendo a regular a quantidade de temperos da vida... como o aprendiz que confia no Chef! :)
"So don't worry about a thing,
'cause every little thing is gonna be alright..."
(Bob Marley)
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida..."
(S. Kiekegaard)
"Se eu quiser falar com Deus (...)
tenho que folgar os nós
dos sapatos, da gravata,
dos desejos, dos receios (...)
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
tenho que me aventurar
tenho que subir aos céus
sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Das as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
nada, nada, nada (...)
Do que eu pensava encontrar."
(Gilberto Gil)
janeiro 26, 2006
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados...
"Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas
e sempre aparecem quando menos aguardados,
guardados, guardados
entre livros e sapatos,
em baús empoeirados.
Saem de recônditos lugares,
nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares,
seus pares, seus pares
e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores.
Suas ilusões sao repartidas,
partidas, partidas
entre mortos e feridas,
feridas, feridas
mas resistem com palavras
Confundidas,
fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas.
Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas,
se contentam com migalhas,
migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras
com seus versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca
de tesouros submersos.
Fazem quatrocentos mil projetos
projetos, projetos,
que jamais são alcançados, cansados, cansados
Nada disso importa enquanto eles escrevem,
escrevem, escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem.
Andam pelas ruas os poetas,
poetas, poetas
Como se fossem cometas,
cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas.
Na minha cidade tem canetas,
canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares,
milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas,
confusas, confusas,
em delgados guardanapos
feito moscas inconclusas.
Andam pelas ruas escrevendo
e vendo e vendo
que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram.
Olham para o céu esses poetas,
peotas, poetas,
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
inteiro, inteiro,
fossem vendo pra depois
voltar pro Rio de Janeiro."
*Guardanapos de Papel (Biromes y servilletas)
Letra: Leo Maslíah, versión de Carlos Sandroni.
by Milton Nascimento, em "Tambores de Minas".
---
Créditos: Bim, Menino-Águia :) (pronto, doce de pimenta! hehehe)
Que chegam sem tambores nem trombetas, trombetas
e sempre aparecem quando menos aguardados,
guardados, guardados
entre livros e sapatos,
em baús empoeirados.
Saem de recônditos lugares,
nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares,
seus pares, seus pares
e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores.
Suas ilusões sao repartidas,
partidas, partidas
entre mortos e feridas,
feridas, feridas
mas resistem com palavras
Confundidas,
fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas.
Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas,
se contentam com migalhas,
migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras
com seus versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca
de tesouros submersos.
Fazem quatrocentos mil projetos
projetos, projetos,
que jamais são alcançados, cansados, cansados
Nada disso importa enquanto eles escrevem,
escrevem, escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem.
Andam pelas ruas os poetas,
poetas, poetas
Como se fossem cometas,
cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas.
Na minha cidade tem canetas,
canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares,
milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas,
confusas, confusas,
em delgados guardanapos
feito moscas inconclusas.
Andam pelas ruas escrevendo
e vendo e vendo
que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram.
Olham para o céu esses poetas,
peotas, poetas,
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
inteiro, inteiro,
fossem vendo pra depois
voltar pro Rio de Janeiro."
*Guardanapos de Papel (Biromes y servilletas)
Letra: Leo Maslíah, versión de Carlos Sandroni.
by Milton Nascimento, em "Tambores de Minas".
---
Créditos: Bim, Menino-Águia :) (pronto, doce de pimenta! hehehe)
janeiro 23, 2006
Escrevo estas mal traçadas linhas...
Um blog, para mim, não é um canto onde eu apenos derramo uma enxurrada de auto-afirmações, mas gosto de postar entrelinhas e entreverbos que me comunicam de alguma forma, e, talvez, possam interagir com os pensamentos de alguém que por acaso esteja lendo. Não é apenas uma fuga, mas uma partilha, mesmo que um pouco egoísta.
Engraçado que, muitas vezes, quando venho postar neste local, venho cheia de sentimentos e pensamentos e vontade de partilhar, mas de repente, não consigo mais escrevê-los aqui. Acho que sou tomada por um medo da banalização.
Quem gosta de ser banalizado em seus sentimentos? Acho que ninguém gosta de não ser levado a sério. Mas se eu decido me abrir, então, até que ponto isso vale?
Discussão um tanto pessoal. Para alguém com muita dificuldade de expor alguns sentimentos, como eu, e com um razoável :( nível de ansiedade social, qualquer pouco que exponho, já me dá uma certa angústia.
É por isso que este lugar também, às vezes, serve como um exercício de abertura do meu eu (sim, embora egocêntrico – afinal, não há tanta interação assim). Mas, de qualquer maneira, eu me deixo aberta a feridas e críticas de quem vier a ler um pouco de minhas idéias, poemas ou textos com os quais me identifico. É “postar e apostar”. E soltar um “nem aí”.
Enfim... isto é um pouco de mim – ao mesmo tempo que muito, é muito pouco. E o medo da banalização ainda é tanto que percebo, comparando-me a outros (ótimos) blogs amigos, que meus posts são bem menos “diretos” ou “abertos” quantos os deles. Muitos destes usam sua experiência pessoal para que, quem sabe, possa servir como aprendizado ou crescimento a alguém que porventura se identificar, como muitas vezes já aconteceu comigo. Às vezes sinto meus posts um tanto longe disto, talvez por muitos dos meus serem tão “intrínsecos”. Mas acho que ainda está valendo.
Viram? Não cheguei a conclusão nenhuma. No entanto, acho que não preciso. A minha vida, de verdade, aqui "fora" (de onde?), não tem conclusões – é um eterno escrever de linhas tortas, retilínias, curvilíneas, coloridas e preta-e-brancas... às vezes tenho vontade de pegar essa caneta sozinha e escrever um "final feliz para sempre", como num texto perfeito. Mas, como o papel é naturalmente amassado, o gostoso mesmo é quando deixamos Deus guiar a nossa mãozinha teimosa... o mínimo de gratidão por tão bela caneta de presente (caramba, quanta metáfora).
OBS: mais uma prova de como as linhas são imprevisíveis... Comecei com um assunto e terminei com outro. Ou não? =)
Engraçado que, muitas vezes, quando venho postar neste local, venho cheia de sentimentos e pensamentos e vontade de partilhar, mas de repente, não consigo mais escrevê-los aqui. Acho que sou tomada por um medo da banalização.
Quem gosta de ser banalizado em seus sentimentos? Acho que ninguém gosta de não ser levado a sério. Mas se eu decido me abrir, então, até que ponto isso vale?
Discussão um tanto pessoal. Para alguém com muita dificuldade de expor alguns sentimentos, como eu, e com um razoável :( nível de ansiedade social, qualquer pouco que exponho, já me dá uma certa angústia.
É por isso que este lugar também, às vezes, serve como um exercício de abertura do meu eu (sim, embora egocêntrico – afinal, não há tanta interação assim). Mas, de qualquer maneira, eu me deixo aberta a feridas e críticas de quem vier a ler um pouco de minhas idéias, poemas ou textos com os quais me identifico. É “postar e apostar”. E soltar um “nem aí”.
Enfim... isto é um pouco de mim – ao mesmo tempo que muito, é muito pouco. E o medo da banalização ainda é tanto que percebo, comparando-me a outros (ótimos) blogs amigos, que meus posts são bem menos “diretos” ou “abertos” quantos os deles. Muitos destes usam sua experiência pessoal para que, quem sabe, possa servir como aprendizado ou crescimento a alguém que porventura se identificar, como muitas vezes já aconteceu comigo. Às vezes sinto meus posts um tanto longe disto, talvez por muitos dos meus serem tão “intrínsecos”. Mas acho que ainda está valendo.
Viram? Não cheguei a conclusão nenhuma. No entanto, acho que não preciso. A minha vida, de verdade, aqui "fora" (de onde?), não tem conclusões – é um eterno escrever de linhas tortas, retilínias, curvilíneas, coloridas e preta-e-brancas... às vezes tenho vontade de pegar essa caneta sozinha e escrever um "final feliz para sempre", como num texto perfeito. Mas, como o papel é naturalmente amassado, o gostoso mesmo é quando deixamos Deus guiar a nossa mãozinha teimosa... o mínimo de gratidão por tão bela caneta de presente (caramba, quanta metáfora).
OBS: mais uma prova de como as linhas são imprevisíveis... Comecei com um assunto e terminei com outro. Ou não? =)
janeiro 22, 2006
Saudade e Lembranças
Conhecem a diferença? Recebi esse texto e achei que faz muito sentido...
"Podem parecer sinônimos.
Idéia igual, mas diferente no sentir.
Lembrança é da memória, saudade é da alma.
Muitas lembranças, poucas saudades.
Lembranças surgem com um cheiro,
uma música, uma palavra...
Saudade surge sozinha, emerge do fundo do peito
onde é guardada com carinho.
Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
pode-se afastá-la convocando outra lembrança
ou convocando outro pensamento para o lugar,
ligando a TV ou lendo o jornal.
Saudade é sempre boa, mesmo quando dói, e não se apaga
mesmo que outra pessoa tente ocupar o lugar vazio.
Ela pode coexistir com um novo amor, sem machucá-lo.
Lembrança é de algo real, de um lugar,
uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve,
de uma possibilidade, de lábios jamais tocados.
Lembrança pode ser contada, medida, localizada,
e com algum esforço,pode até ser calculada
com uma fórmula matemática, ao gosto dos engenheiros.
Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias;
vontade de ver outra pessoa, segundo os poetas,
teria outro nome, seria uma saudade com tempero, eu acho.
Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo, a gente coloca,
só para ficar mais bonita, mais gostosa de sentir,
para preencher mais a alma vazia.
Lembrança vence a morte, mas conforma-se com a ausência,
respeita convenções.
Saudade ignora a morte, vence distâncias,
barreiras e preconceitos.
Lembrança aceita nosso comando,
vai e volta quando queremos.
Saudade é irreverente,
independente e auto suficiente."
"Podem parecer sinônimos.
Idéia igual, mas diferente no sentir.
Lembrança é da memória, saudade é da alma.
Muitas lembranças, poucas saudades.
Lembranças surgem com um cheiro,
uma música, uma palavra...
Saudade surge sozinha, emerge do fundo do peito
onde é guardada com carinho.
Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
pode-se afastá-la convocando outra lembrança
ou convocando outro pensamento para o lugar,
ligando a TV ou lendo o jornal.
Saudade é sempre boa, mesmo quando dói, e não se apaga
mesmo que outra pessoa tente ocupar o lugar vazio.
Ela pode coexistir com um novo amor, sem machucá-lo.
Lembrança é de algo real, de um lugar,
uma época, uma pessoa.
Saudade pode ser do que não houve,
de uma possibilidade, de lábios jamais tocados.
Lembrança pode ser contada, medida, localizada,
e com algum esforço,pode até ser calculada
com uma fórmula matemática, ao gosto dos engenheiros.
Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias;
vontade de ver outra pessoa, segundo os poetas,
teria outro nome, seria uma saudade com tempero, eu acho.
Lembrança pode ser sem som, pode não doer.
Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo, a gente coloca,
só para ficar mais bonita, mais gostosa de sentir,
para preencher mais a alma vazia.
Lembrança vence a morte, mas conforma-se com a ausência,
respeita convenções.
Saudade ignora a morte, vence distâncias,
barreiras e preconceitos.
Lembrança aceita nosso comando,
vai e volta quando queremos.
Saudade é irreverente,
independente e auto suficiente."
janeiro 19, 2006
Uma história de criança
"Um dia o amor nasceu
numa varanda regada de orvalho,
ao som das estrelas, com cheiro de lua,
Astuto, penetra, estranho, inesperado.
Ninguém pediu pra ele chegar,
nem avisou que estava na hora -
mas não podia ser abortado.
Seria um crime com algo tão belo,
tão simples, tão puro e frágil.
Quando a doce criança saltitou de alegria,
seu berro teve de ser silenciado.
Recebeu ordens de que teria de viver
fechada, trancada, até sua morte.
Jamais poderia brincar, correr, festejar,
crescer com saúde naquele lugar.
Sem entender o porquê,
silenciosa, então, se traduzia
apenas em carinho,
em olhar, em vontade,
em amizade ou impossibilidade,
em poesia.
Mas um dia
tiraram os cadeados, abriram os portões de ferro,
deixaram entrar uma fresta de luz,
e a criança-amor viu o sol.
O sol a cegou por instantes, e ela chorou de paixão,
de saudade do que não viveu.
A criança vislumbrou o mar e os jardins,
a imensidão do mundo em que poderia se divertir.
Mas já não tinha forças.
Precisava de alguém.
Precisava da certeza do mundo existente.
De que tudo não passava de um sonho covarde.
E aguarda, resistente, prudente e sem alarde,
a uma resposta do universo."
(A intenção não é mesmo ser nenhuma poesia, é só contar uma história. )
numa varanda regada de orvalho,
ao som das estrelas, com cheiro de lua,
Astuto, penetra, estranho, inesperado.
Ninguém pediu pra ele chegar,
nem avisou que estava na hora -
mas não podia ser abortado.
Seria um crime com algo tão belo,
tão simples, tão puro e frágil.
Quando a doce criança saltitou de alegria,
seu berro teve de ser silenciado.
Recebeu ordens de que teria de viver
fechada, trancada, até sua morte.
Jamais poderia brincar, correr, festejar,
crescer com saúde naquele lugar.
Sem entender o porquê,
silenciosa, então, se traduzia
apenas em carinho,
em olhar, em vontade,
em amizade ou impossibilidade,
em poesia.
Mas um dia
tiraram os cadeados, abriram os portões de ferro,
deixaram entrar uma fresta de luz,
e a criança-amor viu o sol.
O sol a cegou por instantes, e ela chorou de paixão,
de saudade do que não viveu.
A criança vislumbrou o mar e os jardins,
a imensidão do mundo em que poderia se divertir.
Mas já não tinha forças.
Precisava de alguém.
Precisava da certeza do mundo existente.
De que tudo não passava de um sonho covarde.
E aguarda, resistente, prudente e sem alarde,
a uma resposta do universo."
(A intenção não é mesmo ser nenhuma poesia, é só contar uma história. )
janeiro 16, 2006
Escolhas da vida
"(...) Mercy se afasta, abre as suas asas e sobrevoa a rodovia. Por cima, vê que todos os três caminhos têm flores e espinhos; saúde e doenças; sorrisos e lágrimas. Um parece ter mais curvas e luz que outro, enquanto outro parece ser mais retilínio, porém sombrio. Mas percebe que, ao longo de todos eles, há possibilidades de ir plantando e colhendo as letras que encaixam, lá no final, em um arco-íris onde se pode ler: “vivi com amor e fui feliz”."
janeiro 10, 2006
Tenho sede
"Tenho sede.
Sede de certezas,
De busca e de encontros,
De procurar e achar,
de questionar e obter resposta.
Sede de amor sincero e singelo.
Sede de confiança e de cumplicidade.
Sede do futuro.
Mas o que me mata a sede
é a agua da incerteza
o líquido do indecifrável
Do escondido, espalhado, invisível,
Do imprevisível.
A vida é mistério.
E é bela assim.
E é bela por ser assim."
Sede de certezas,
De busca e de encontros,
De procurar e achar,
de questionar e obter resposta.
Sede de amor sincero e singelo.
Sede de confiança e de cumplicidade.
Sede do futuro.
Mas o que me mata a sede
é a agua da incerteza
o líquido do indecifrável
Do escondido, espalhado, invisível,
Do imprevisível.
A vida é mistério.
E é bela assim.
E é bela por ser assim."
janeiro 09, 2006
Liberdade
"Quero me livrar das garras, das caixas, das gargantas
Não quero depender de paralelepípedos para sorrir
Não quero bolhas de borago para não chorar
Quero permanecer à flor da pele, será?
Quero saber o controle de ser.
Eu não tomo diazepan.
Estou apenas na tpm.
Onde está escrito que é proibido ser sensível?
Alguém compra minha liberdade?"
Não quero depender de paralelepípedos para sorrir
Não quero bolhas de borago para não chorar
Quero permanecer à flor da pele, será?
Quero saber o controle de ser.
Eu não tomo diazepan.
Estou apenas na tpm.
Onde está escrito que é proibido ser sensível?
Alguém compra minha liberdade?"
janeiro 03, 2006
Ironia
"O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons." (Martin Luther King)
Aqui em Belo Horizonte há muitas favelas e aglomerados que se formaram perto de avenidas muito movimentadas. Talvez alguns não percebam tanto, porque elas estão camufladas por trás dos outdoors colocados estrategicamente para esconder aquilo que não se quer ver (mostrar?).
Interessante pensar nessa situação. Por acaso (ou não), é explicitamente simbólica. Os outdoors representam justamente o consumismo, principal fundamento do sistema em que vivemos, que inevitavelmente está ligado àquela triste realidade social que ninguém gosta de ver. O que há por trás do capitalismo desregrado é o que há literalmente por trás daqueles outdoors, que representam o sistema.
Não é irônico?
Aqui em Belo Horizonte há muitas favelas e aglomerados que se formaram perto de avenidas muito movimentadas. Talvez alguns não percebam tanto, porque elas estão camufladas por trás dos outdoors colocados estrategicamente para esconder aquilo que não se quer ver (mostrar?).
Interessante pensar nessa situação. Por acaso (ou não), é explicitamente simbólica. Os outdoors representam justamente o consumismo, principal fundamento do sistema em que vivemos, que inevitavelmente está ligado àquela triste realidade social que ninguém gosta de ver. O que há por trás do capitalismo desregrado é o que há literalmente por trás daqueles outdoors, que representam o sistema.
Não é irônico?
Não sei mais.
"Não sei mais
o que quer meu coração.
Não sei não.
Não sei se bate
se pulsa,
se ex-pulsa
ou se expulsa.
Não sei se é de ferro,
se é de cobre,
se é de isopor
ou enferrujou.
Não sei.
Não sei se quer manha
Se quer graça
Se abraça
Ou ameaça.
Não sei se tem jeito,
se há trejeito,
não sei nem
se cabe em mim!
Não sei se há razão
se há emoção
Se há coração.
Nem sei mais o que quer."
(03/01/06)
---
OBS: FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!...
2006 com mais paz, com mais luz, com mais sonhos e mais esperança...
Com muita alegria e força nas tristezas...
Com vida em abundância!
Beijos.
o que quer meu coração.
Não sei não.
Não sei se bate
se pulsa,
se ex-pulsa
ou se expulsa.
Não sei se é de ferro,
se é de cobre,
se é de isopor
ou enferrujou.
Não sei.
Não sei se quer manha
Se quer graça
Se abraça
Ou ameaça.
Não sei se tem jeito,
se há trejeito,
não sei nem
se cabe em mim!
Não sei se há razão
se há emoção
Se há coração.
Nem sei mais o que quer."
(03/01/06)
---
OBS: FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!...
2006 com mais paz, com mais luz, com mais sonhos e mais esperança...
Com muita alegria e força nas tristezas...
Com vida em abundância!
Beijos.
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