outubro 30, 2005

umMONTEdeCOISA

Mais passado presente...

"Eu queria falar do que penso
o que creio, o que vejo, detesto
Eu queria falar do que sonho
do mundo, a utopia, esperança
Eu queria falar da menina
da infância, os tesouros, besouros
Eu queria falar da mulher
o que sinto, o que amo, o que temo
Eu queria falar do passado
machucados, feridas, cansaço
Eu queria falar do futuro
Incertezas, caminhos, modelos
Eu queria falar tanta coisa
Eu queria dizer mas tenho medo.
As pessoas são bichos que comem,
mastigam, mastigam, engolem."

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"Eu sinto saudades do amor que nunca veio
De repente, ela sentiu saudades de tudo que não teve
e não viveu
E ela tinha medo do seu passado
porque o passado da gente
é a mais alta muralha que construímos
no nosso mar aberto, que navega,
navega
Oh, barquinho! Viaja, vai,
antologia de Drumond
cantaroladas de Cecília
invade-ser de Pessoa
e ela embarca na estrada da sua alma.
e um dia descobre-se que amou.
E descobre-se que amor não se cura com tempo, distância e essas coisas que dizem por aí.
Aliás, descobre-se que amor não se cura, porque amor não é doença.
E descobre-se que se amou de verdade quando a memória-pensamento ainda traz respostas do sistema nervoso autônomo
E descobre-se que se quebrou estereótipos, plantou flores e colheu poemas.
E descobre-se que não se construiu o passado e o presente não tem história pra contar.
Só de tristeza, e de triste basta o coração.
Quero história alegre, quero um grão de paz,
quero magia colorida colorpaz colorful colorcheia colormágica
quero-quero, bem-te-vi, pé-de-moleque, cachorro-quente
querossim... queroti...

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Sentimentos mais confusos não dá pra falar, escrever, gesticular ou o-que-for.
Eu não sei o que dizer. Eu quero, mas não sei. O que é normal.
Poderia talvez conseguir dizer em duas linhas, em oito linhas, em quatorze ou trinta e três.
E eu achava que eu conseguia exprimir os sentimentos melhor pelas palavras.
Mas eu escrevi quarenta e uma linhas descontínuas versificadas e não consegui.
E poderia escrever mais quarenta e uma, e seriam vãs quarenta e uma linhas.
O copo está cheio; mas, tampado, não serve-se a água.
Às vezes consigo tirar muita água do meu poço - fundo, escuro, escondido.
E posso analisar, experimentar, servir a água.
Mas aí, vez ou outra, sonâmbula-eu, tampo o poço com tampa de ferro e cimento.
E não consigo tirar a água, tomar a água, servir a água.
Então fica assim: eu aqui sentindo um monte de coisa junta e vocês sem saberem o que é."

(Não me lembro, mas acho que foi escrito em abril.)

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