“Quase Dois Irmãos também é parcialmente ambientado nos Anos de Chumbo, mas a motivação da diretora é tratar de uma questão contemporânea: a subida de jovens cariocas de classe média aos morros, primeiro para sacolejar em bailes funks, depois para se relacionar com os traficantes. Essa é uma das questões do filme, mas não a principal em seu enfoque. Há três tempos narrativos. Um primeiro recorte é ambientado nos anos 50, na infância dos dois protagonistas - Jorge, um negro do morro, e Miguel, um branco bem de vida, cada um em um andar da pirâmide social, unidos pelo futebol e pelo samba. O segundo momento é 1970, na prisão da Ilha Grande, onde os dois estão encarcerados - Miguel (Caco Ciocler) como preso político, Jorge (Flávio Bauraqui) como preso comum, ainda unidos pelo samba. Um terceiro segmento histórico situa-se nos dias atuais, quando Miguel (agora Werner Schunemann) é deputado e Jorge (agora Antônio Pompeo) um traficante puxando cana. Eles estão ligados pela geração seguinte: o romance entre a filha do político, funkeira em busca de aventura, e o herdeiro do traficante. Novo ciclo à vista, novas feridas.
O título salienta a incompletude da ponte a ligar os dois mundos: o de cima situado no asfalto e o de baixo localizado no morro. ''Quase'' Dois Irmãos significa a impossibilidade da irmandade, ressalta o fracasso da utopia da integração social, dá banho de ducha fria no projeto solidário da esquerda. Isso salta aos ouvidos na frase do narrador (Jorge): ''Temos todos duas vidas, uma que sonhamos, uma que vivemos'', diz, citando Fernando Pessoa.” (Por Cléber Eduardo, Revista Época. Nesta reportagem).
Ontem, assistindo a este filme (com ela), a tal citação do Fernando Pessoa me marcou. Pus-me a pensar nessa (triste?) verdade. É algo como “a teoria é diferente da prática”.
Mas... Prosseguindo o pensamento: “E nós nos esforçamos para que o mundo em que vivemos seja o mais próximo possível daquele que sonhamos”.
O título salienta a incompletude da ponte a ligar os dois mundos: o de cima situado no asfalto e o de baixo localizado no morro. ''Quase'' Dois Irmãos significa a impossibilidade da irmandade, ressalta o fracasso da utopia da integração social, dá banho de ducha fria no projeto solidário da esquerda. Isso salta aos ouvidos na frase do narrador (Jorge): ''Temos todos duas vidas, uma que sonhamos, uma que vivemos'', diz, citando Fernando Pessoa.” (Por Cléber Eduardo, Revista Época. Nesta reportagem).
Ontem, assistindo a este filme (com ela), a tal citação do Fernando Pessoa me marcou. Pus-me a pensar nessa (triste?) verdade. É algo como “a teoria é diferente da prática”.
Mas... Prosseguindo o pensamento: “E nós nos esforçamos para que o mundo em que vivemos seja o mais próximo possível daquele que sonhamos”.
4 comentários:
Saudades!
Deve ser interessante o filme.
Pq não gosto de Dom Claudio? Não é que não goste dele, mas da "teoria da libertação" que ele pratica, e que não combina teologicamente com a Igreja. Essa teoria tb é muito difundida aqui na América Latina, em filmes inclusive.
Bjão
Obs: Guria que bonita que está a template.
Obs2: Eu e o Math fizemos outro blog só pra bagunçar é o Entrevero
www.entrevero.weblogger.com.br
Eu estou lendo mais sobre a Teoria da Libertação, não sei muito, mas até onde sei, Dom CLáudio namora com a TL, pode ser que menos que Evaristo Arns. A TL é uma mistureba de socialismo com cristianismo e Leonardo Boff é um "intelectual" socialista militante, e pouco confiável eu acho. A TL seria o que forma hoje a "esquerda católica", adota os "oprimidos" e se mete no campo político (ela está presente por ex no MST), esquivando-se e muito do perfil evangelizador do catolicismo. Bjos
Myllet, tem um artigo bem interessante sobre a teologia da libertação no site da Veritatis
link http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=2199
Tem mais
"Basicamente por negar a própria essência da Religião, que é a ação sobrenatural (acima das possibilidades da natureza humana) da graça de Deus na Redenção do homem. A Redenção é reduzida a uma melhoria social, conquistada pela luta natural, s Sacramentos são vistos como símbolos naturais de algo igualmente natural, e não como sinais visíveis e eficazes de uma realidade sobrenatural, etc.
Isto é tornado ainda mais grave pelo fato de ser usado um vocabulário católico para expressar idéias contrárias à Religião, usando de "libertação" para falar de reorganização social igualitária, "pecado" para falar de estruturas sociais de classe, "teologia" para falar de sociologia, "evangelização" para falar de agit-prop ("agitação e propaganda", nome da seção de um partido comunista encarregada de difundir o marxismo), etc."
No Veritatis
http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=593
Bem, agora chega né? rsrs Bjao
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