junho 26, 2006

Palavras de papel e Palavras sem palavras

Ouço dizer que dar presentes às pessoas é um grande desafio. O valor capital, externo e de acesso limitado, ultrapassa o valor simbólico, cujo acesso é interior e universal, mas parece ainda mais difícil de ser percebido...

Eu gosto muito de ganhar "palavras de papel". Cartas, cartões, cartinhas... Nenhum presente me agrada tanto quanto um envelope recheado dessas coisas tão esquisitas, ambíguas, malucas e corriqueiras que são as palavras! Tem coisa mais humana que a linguagem?

Mais do que isso, só mesmo um abraço bem gostoso, daqueles que demoram mais de 8 segundos (isso mesmo), onde as palavras não precisam se fazer presentes, porque já há algo sendo transmitido, de outra forma... ali naquele calor, naquela energia boa de quatro braços que se envolvem. Ali as palavras são inúteis. É a linguagem da não-palavra, palavras ditas sem palavras! O que um abraço longo e quente esconde de significados não cabe em um envelope de papel... Ali, o que há de mais humano se torna presente – mais mesmo do que uma poesia: é a mais sincera demonstração afetiva que emerge da nossa alma, que nos torna semelhantes ao universo da Divindade. Não há maior humanidade do que um gesto de amor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa que texto bonito, é verdade que palavras sao presentes, sao armas também ,são solidão, alegria . E um belo cartão vale bem mais que muitas coisas mesmo .