janeiro 23, 2006

Escrevo estas mal traçadas linhas...

Um blog, para mim, não é um canto onde eu apenos derramo uma enxurrada de auto-afirmações, mas gosto de postar entrelinhas e entreverbos que me comunicam de alguma forma, e, talvez, possam interagir com os pensamentos de alguém que por acaso esteja lendo. Não é apenas uma fuga, mas uma partilha, mesmo que um pouco egoísta.

Engraçado que, muitas vezes, quando venho postar neste local, venho cheia de sentimentos e pensamentos e vontade de partilhar, mas de repente, não consigo mais escrevê-los aqui. Acho que sou tomada por um medo da banalização.

Quem gosta de ser banalizado em seus sentimentos? Acho que ninguém gosta de não ser levado a sério. Mas se eu decido me abrir, então, até que ponto isso vale?

Discussão um tanto pessoal. Para alguém com muita dificuldade de expor alguns sentimentos, como eu, e com um razoável :( nível de ansiedade social, qualquer pouco que exponho, já me dá uma certa angústia.

É por isso que este lugar também, às vezes, serve como um exercício de abertura do meu eu (sim, embora egocêntrico – afinal, não há tanta interação assim). Mas, de qualquer maneira, eu me deixo aberta a feridas e críticas de quem vier a ler um pouco de minhas idéias, poemas ou textos com os quais me identifico. É “postar e apostar”. E soltar um “nem aí”.

Enfim... isto é um pouco de mim – ao mesmo tempo que muito, é muito pouco. E o medo da banalização ainda é tanto que percebo, comparando-me a outros (ótimos) blogs amigos, que meus posts são bem menos “diretos” ou “abertos” quantos os deles. Muitos destes usam sua experiência pessoal para que, quem sabe, possa servir como aprendizado ou crescimento a alguém que porventura se identificar, como muitas vezes já aconteceu comigo. Às vezes sinto meus posts um tanto longe disto, talvez por muitos dos meus serem tão “intrínsecos”. Mas acho que ainda está valendo.

Viram? Não cheguei a conclusão nenhuma. No entanto, acho que não preciso. A minha vida, de verdade, aqui "fora" (de onde?), não tem conclusões – é um eterno escrever de linhas tortas, retilínias, curvilíneas, coloridas e preta-e-brancas... às vezes tenho vontade de pegar essa caneta sozinha e escrever um "final feliz para sempre", como num texto perfeito. Mas, como o papel é naturalmente amassado, o gostoso mesmo é quando deixamos Deus guiar a nossa mãozinha teimosa... o mínimo de gratidão por tão bela caneta de presente (caramba, quanta metáfora).

OBS: mais uma prova de como as linhas são imprevisíveis... Comecei com um assunto e terminei com outro. Ou não? =)

Um comentário:

Unknown disse...

Menina, menina, menina...
Medo de banalização ou de se expor dessa maneira tão pública?
Beijos mil!